22/12/2017 - 05:21

As contradições do Natal

Carlos Trapp
Depois de um período de ausência, por diversos motivos, volto, próximo do Natal, a festa magna da Cristandade, falando um pouco sobre essa data tão importante e de um significado tão profundo, revelando o amor de Deus à humanidade. Para tal, aproveito um texto escrito pelo meu colega Geraldinho Farias, com ligeiras modificações, conforme segue: 
 
“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.” (2 Coríntios 8:9) 
 
1.Os Sentimentos do Natal
Diferente das luzes, dos coloridos dos enfeites... O pano de fundo não seria uma
sinfonia triunfalista; antes, um enredo de terror.
 
Os sentimentos do Natal: Uma sentença faz uma família lançar-se a uma jornada dramática.
 
A história é a fuga pela vida! Um pai e uma mãe lutando por seu filho. Atrás, um edito, uma publicação para que as crianças do vilarejo fossem eliminadas. É o Estado (Herodes) déspota que não protege, ameaça e elimina. Uma família, portanto, luta para não ser mais uma vítima. 
 
2. O Lugar, o cenário do Natal
Não é a metrópole ou a megalópole – Atenas, Cairo, Roma... Não é a capital, o centro:
 
É a “perifa” da periferia: Nazaré, Belém da Judéia – “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”
 
Não foi no Palácio, numa monumental edificação arquitetônica; não foi na rigidez do concreto, sim, foi na ternura do campo, ali, bem acessível!
 
Não é na ‘maternidade’, centro médico, no conforto da hospedaria...
 
É na manjedoura. De manjar, lugar onde comem bovinos e cavalos; estrebaria ou estábulo.
  
3. A família do Natal
Jesus não é recebido num “berço de ouro”; não é gerado na nobreza; não é da elite...
 
Seu pai é um José e Sua mãe é uma Maria – são sem-teto em busca de um lugar. Simples assim. Ele será carpinteiro, reproduzindo a habilidade do pai.
 
Não ter lugar hoje prenuncia como seria a sua vida despida de bens: O Filho do homem que não tinha “onde reclinar a cabeça”; e usaria o burro emprestado; celebraria a Ceia na casa do amigo; e seria sepultado num túmulo emprestado. 
 
Estamos diante de uma família absolutamente simples. A herança legada a Jesus por seus piedosos pais foi o temor a Deus.
 
 
4. Os símbolos do Natal
Não é a árvore enfeitada com luzes e cores – símbolo da imponência; mesa farta, luxo, pompa, ostentação.
 
É a manjedoura; é o que é possível; é a carência; o desprovimento; Não é a coisa pronta, ganha – é virar-se no que der.
 
É a reciclagem, o improviso, a arte – o set dos bichos se torna uma maternidade.
 
É a solidão de uma família envolta aos animais e a paisagem bucólica. Não é “o” lugar, é o lugar-comum, lugar-qualquer.
 
Deus faz um gesto na direção dos necessitados. Deu certo porque Ele está do lado, acima e além dos que sofrem e dos humildes. 
 
Conclusão: A vivência oferecida pela história do Natal é, antes, um estímulo à sobrevivência. Não é o evento demonstrativo do poder, da riqueza, do patrimônio. Não é o poder “de ser” ou “para ser.” 
A contundente narrativa, a confrontação, o paradoxo, a antítese, é o que dá o tom: No mais improvável lugar, ante a mais improvável circunstância, cercado pela mais improvável família, nasceu um Rei:

Não é o odor, fragrância das melhores perfumarias: É o cheiro de estrume;

Não é o colchão da melhor marca: É a palha, o feno;

Não é o auditório de um programa de TV, nem a torcida de um time de futebol: São os animais.

Não é o kit-maternidade de grife, o conforto, a marca ISO 9000, 14000: É a cobertura do céu estrelado, da brisa suave.

É o triunfo de uma família a nos ensinar sobre o que mais importa: Ela mesma, a própria família junta, superando, sobrevivendo! O Natal é o triunfo sobre a coisificação. É a marca da simplicidade. É a contramão do mundo. 
 
Carlos Osmar Trapp, pastor batista (OPBB/3650) e jornalista (DRT/MS 928).
 
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Carlos Trapp
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