23/12/2017 - 10:51

Natal: A Teologia do Nenê

Carlos Trapp
Estamos na época do Natal, quando lembramos, em especial, do nascimento de Jesus, que se fez nenê e veio habitar entre nós, com o fim específico de nos salvar da condenação eterna e também de nos instruir quanto à conduta e à fé. 
 
Em se tratando do assunto, ou seja, do nascimento do menino Jesus, trago um artigo, ligeiramente resumido, escrito pelo pastor Luiz Sayão, que é teólogo e hebraísta da Igreja Batista Nações Unidas, São Paulo, SP. Como Jesus veio a este mundo em forma de nenê, o escritor faz uma análise de como são tratados os nenês por Deus e pela humanidade. Vamos ao texto:
 
“A infantofobia é geral. Discriminação total. Os nenês não têm vez. Com frequência vemos a defesa dos direitos dos mais diversos grupos: negros, árabes, mulheres, índios, adolescentes, etc. Até as mais diversas preferências sexuais recebem sua apologética! Animais silvestres, plantas raras, gatos, cachorros também são contemplados. Até as religiões são protegidas legalmente contra a discriminação. Já no caso dos nenês, isso não acontece! Crianças abandonadas, sujeitas aos maus tratos, nenês deixados no lixo, abortos incontáveis, pedofilia, infanticídio, raptos de crianças, etc. O sofrimento infantil, principalmente dos nenês é indescritível. Infelizmente, não existe o sindicato de defesa dos nenês para reclamar o direito dos mesmos. A infantoclastia é geral.
  
Na Bíblia, porém, não é assim. Os nenês têm lugar especial. Ainda que a maioria dos religiosos e teólogos não se importe muito com eles também. Nem mesmo os teólogos libertários, atentos a causas sociais, importam-se com os nenês! No caso de Deus, é diferente. É impressionante como Deus gosta de nenês. Para começar, sua primeira ordem para o primeiro casal criado é simples: “Sejam férteis e multipliquem-se!”, ou seja: “Tenham nenês” (Gn 1.28). 
 
Quando Deus constrói sua história de salvação através da Bíblia, os nenês têm papel importante. E tem mais! Nunca nenhum deles voltou-se contra Deus! A preocupação dos patriarcas escolhidos por Deus em Gênesis era ter nenê! Abraão, o homem de fé, só ficou realmente feliz quando nasceu o nenê de Sara, sua mulher. A alegria foi tanta que o nome do nenê era “riso”, significado do nome Isaque (Gn 21.5-6). Depois, quando Rebeca, mulher de Isaque, tem dificuldades de ter nenê, mais uma vez, a bondade de Deus manifesta-se: nasce um nenê; ou melhor, dois: Esaú e Jacó.
  
A história da redenção divina poderia concentrar-se em batalhas ou em visões apenas, mas Deus faz questão de mostrar a primazia do nenê. Toda vez que alguma coisa especial vai acontecer, lá está, adivinhe, o nenê.
  
Um pouco mais adiante, a situação do povo ficará muito difícil no Egito. Quem surgirá para libertar o povo? Um anjo? Um arcanjo? Que nada! De novo, um nenê. Moisés, o nenê, que era um menino bonito e extraordinário (At 7.20), foi o grande libertador. Os maus odeiam os nenês, por isso, Moisés é o grande sobrevivente do holocausto contra os nenês promovido no Egito pelo faraó.
 
 Lembre-se, quando mais perverso, mais ódio aos nenês. Esse foi o caso de faraó (Ex 1.22) e de Herodes, nos tempos de Jesus (Mt 2.16-18). No final da época dos juízes, no momento mais crítico da história do povo, outro nenê, muito esperado, vai fazer diferença. Graças às orações de Ana e à bondade divina, Samuel, o nenê, chegou trazendo esperança para Israel (1Sm 1.20).
 
 A supervisão divina na formação de um nenê merece atenção especial na Bíblia. O salmista dá-nos os detalhes, valorizando o nenê ainda não nascido, digno perante Deus, sem valor para os homens maus: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir”. (Sl 139.13-18).
 
 No aspecto teológico, os nenês também estão numa situação privilegiada. Por exemplo, a relação dos fiéis genuínos com Deus tem como paradigma “os nenês”: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste.” (Mt 18.10).
 
 Talvez esta primazia dos nenês e a predileção divina por eles explique o ódio contra os pobres pequeninos. Imaginem só: no mundo “civilizado”, é um “direito” matar nenês antes que nasçam. O chamado primeiro mundo está sofrendo por falta de nenês. Muita gente instruída, culta e rica não gosta de nenês. Isso diminui o valor delas na sociedade! Os psicólogos estão mostrando que muitas pessoas têm problemas sérios hoje porque foram maltratados quando eram nenês. Infelizmente, há até comércio de nenês! Que horror! Cuidado! O Deus, que é o Deus dos nenês, pode ficar irado e resolver agir!
  
A grande verdade é que o lugar do nenê é tão especial que Deus resolveu invadir a história humana na figura de um nenê. Em vez de descer diretamente do céu, ou de chegar repentinamente com um exército celestial para implantar seu reino, Deus preferiu a forma mais sublime de aproximar-se do homem: Vir como um nenê. Veja o que diz Lucas: “Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2.6-7).
  
Diante disso, vale aqui lembrar as palavras de Madre Teresa de Calcutá, que parece ter percebido grande parte dessa importante realidade: “Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos de AIDS, mas matar crianças inocentes não nos assusta. O aborto é pior do que a fome, pior do que a guerra.”
  
Aqui vai um conselho espiritual. Antes de ler a Bíblia e de fazer uma oração, procure um nenê, de preferência dormindo, e gaste dois minutos em silêncio olhando bem para ele. Pronto, você está pronto para meditar e orar. Depois de tudo isso, acho que está na hora de parar por aqui. Já escrevi muito. Como um nenê, desculpem-me, preciso chorar.”
  
Aproveito para desejar a todos os leitores um Abençoado Natal e que possamos, não só no Ano Novo, mas em todo o tempo, tratar com a devida dignidade, todos os nenês, desde a sua concepção!
  
Carlos Osmar Trapp, pastor batista (OPBB/3650 e jornalista (DRT/MS, 928).


 
Voltar
Carlos Trapp
Acesse meu blog aqui: www.carlostrapp.com
Meus vídeos: www.youtube.com/user/carlostrapp/videos
Meu Face: Carlos Osmar Trapp
Facebook curtir
Site desenvolvido por: