29/10/2017 - 03:41

Cadê os paneleiros?

Dante Filho
Tenho lido essa pergunta cada vez mais. As viúvas de Dilma estão revoltadas. Querem saber o que aconteceu com “aquela gente” que batia panelas pelo Brasil afora toda a vez que a “presidenta” aparecia na TV. 

Enfim, trata-se de uma provocação contra a atual letargia da classe média brasileira em relação ao governo Temer. 

Na cabeça dos inconformados com o impeachment do poste de Lula, o mesmo devia estar acontecendo agora, pois o atual mandatário da Nação praticou crimes mais graves do que Dilma. A história ainda vai dizer, por isso devemos esperar o resumo da ópera antes de tirar conclusões.

Claro, essa turma sabe qual é a resposta sobre a falta de panelas nas janelas dos apartamentos. 
O quadro é tão esquisito que acho que Temer talvez possa aparecer fazendo chuvinha com notas de dólares em rede nacional que não se ouvirá nem tilintar de talheres.

Qual o motivo? Primeiro, uma questão de imagem: ninguém agüentava a cara da mulher que arrastou o País para a pior crise financeira de todos os tempos e resistiu – contra todos os argumentos de que seria melhor renunciar para evitar mais desgaste da economia – por vaidade e arrogância. 

Segundo porque Michel Temer, com aquele estilo manequim de funerária, tem tempo certo de validade e tem – gostemos ou não - mantido certa estabilidade na economia. 

Mesmo cercado de uma camarilha de abutres, a massa tem a sensação de que ele representa a total irrelevância da política em nossas vidas, sabendo que logo, logo estará engendrado com longos processos judiciais. 

Temer é tão infame que nem panela merece. Nesse aspecto, aqueles que estão reclamando da ausência do tam-tam-tam deviam ficar felizes com a indiferença das massas silenciosas. 

Ela voltará a ficar barulhenta em 2018. Podem ter certeza.
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Dante Filho
Jornalista e escritor. Atuo há 38 anos na imprensa sul-mato-grossense. Já fui assessor de imprensa do Governo do Estado e do Senado Federal. Escrevo ensaios, contos e poemas. Publiquei livros. Fui repórter e editor de jornais. Gosto de polêmicas. Liberdade de opinião e de expressão é minha missão. Acredito que jornalismo é análise e questionamento de todo e qualquer poder. O resto é secos & molhados.
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