09/12/2016 - 17:39

O silêncio sentado que chocou a Advocacia de Mato Grosso do Sul

Refiro-me ao grotesco episódio ocorrido na votação da lista para desembargador no Tribunal de Justiça de MS.

Fabio Trad
Panorama
Qual a sua impressão de um pai que, diante da injusta agressão sofrida por seu filho, não reage e, ao contrário, sente um certo prazer íntimo com o fato ?

Ontem, em sessão do Tribunal de Justiça, aconteceu o mesmo. O "pai" estava presente e presenciou o "filho" ser agredido diante de seus olhos. Nada fez. Calou-se. Silêncio e omissão.

Refiro-me ao grotesco episódio ocorrido na votação da lista para desembargador no Tribunal de Justiça de MS.

Foi assim: um advogado de de 72 anos, que milita na advocacia, e só na advocacia, há mais de 50, pediu a palavra ao Presidente da sessão, com educação e fidalguia, para suscitar uma questão de ordem.

Isto é direito do advogado. Direito garantido em lei federal. Direito, repito, sagrado para o advogado, afinal, advogado sem poder usar a palavra é o mesmo que um livro sem paginas: Nada!

Pois bem, enquanto o advogado pedia à Justiça o direito à palavra, há poucos centímetros dele, estava sentado o presidente da OAB/MS que, em juramento solene perante a classe, prometeu e se comprometeu a defender as prerrogativas do advogado.

Qual não foi a surpresa da maioria dos presentes quando, bruscamente, o advogado, antes mesmo de iniciar as razões de sua fala, teve cassada a sua palavra pelo presidente. Isso mesmo: cassada. Isso mesmo: cassada a palavra de um Advogado que, humildemente, pediu a palavra para exercer o seu trabalho.

Mas a surpresa da maioria dos presentes se transformou em indignação quando todos os olhares se voltaram para o presidente da OAB/MS na justa expectativa de uma reação em defesa do colega agredido em sua prerrogativa. A reação foi a pior possível, a mais decepcionante, a única que não poderia ter ocorrido naquela fatídica sessão: silêncio e silêncio e silêncio e silêncio ... silêncio sentado, diga-se de passagem.

E porque sentou no colo da omissão o presidente que foi votado para defender a todos os advogados?

Simples, porque naquela cadeira, nenhuma partícula de presidente parecia estar sentado. Só um torcedor.

Que decepção!!!

A cena chocante foi apenas o início de uma série de outros ímpetos autoritários seguidos de silêncios constrangedores de quem deveria ser o primeiro a se levantar em defesa do mais elementar direito do advogado: o direito à palavra.

O advogado, então, desamparado e indefeso, recolheu-se perplexo com a agressão e chocado com a ausência de defesa do presidente da instituição que deveria proteger a sua palavra, foi sentar.

Dois fortes líderes da advocacia estadual já se manifestaram: Jully Heyder e Luís Renato. Ambos, embora adversários na disputa eleitoral que ocorreu em 2015, se uniram e, num gesto simbólico memorável, repudiaram com veemência a postura do presidente da seccional.

Vários outros advogados já se apresentaram como arrimos de solidariedade ao colega censurado. Emociona e comove assistir a juventude da advocacia do estado se irmanar com o colega mais experiente.

O detalhe que marca: cassou-se a palavra de um advogado justamente na sessão em que se escolheu nomes oriundos da advocacia em uma sessão apressada, tensa e conflituosa.

E agora ?

Agora, cabe aos novos líderes da advocacia darem a resposta. Minha missão, eu cumpri com dignidade e coragem no triênio 2007-2009.

Espero que os 72 anos do advogado ofendido inspirem os seus colegas a apagarem da história da OAB/MS a página que descreve o silêncio mais deprimente de um presidente da OAB/MS. Silêncio sentado. Sentado!

Com a palavra, o Advogado, o autêntico, o verdadeiro, o que não senta no colo da vaidade!

Fabio Trad
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