30/09/2017 - 06:40

A gritaria no Senado não passa de apego a impunidade

Manoel Afonso
RABUDAS No episódio do ex-senador Delcídio do Amaral ( ex-PT) o Senado não lhe deu qualquer chance e cassou-lhe o mandato por quebra do decoro. Já neste caso do senador Aécio Neves (PSDB) mudou de postura. As velhas raposas, até do PT, se uniram temendo ser as próximas vítimas de decisões do STF. Cuidam do próprio rabo. A gritaria no senado não passa de apego a impunidade, que havia antes da Lava Jato.
 
‘ORGULHO’ Pesquisa do Banco Mundial mostra que entre 137 países, o Brasil possui a população que menos confia nos políticos. No item corrupção só perdemos para a Venezuela, Paraguai, República Dominicana e Chade. No item educação primária outro desastre: estamos em 127º lugar. Os políticos - fingem ignorar os tristes números.
 
A NOVIDADE Desde que deixou o Tribunal de Contas do Estado em 2014 existem especulações sobre a volta do ex-deputado Cícero de Souza à política Agora não ficará só na ameaça e após se filiar ao PTB, é certa sua candidatura a deputado estadual. Com trânsito na classe ruralista e boas relações em dezenas de municípios, é nome forte.

SABIDO Ele não frequenta muito a tribuna e não se envolve em questões partidárias com os colegas de parlamento. Mas o deputado Marcio Fernandes (PMDB) promete ser o mais votado em 2018. O seu projeto ‘Jovem Empreendedor’ agrega e agrada os jovens nas cidades onde é realizado. Ele optou por uma formula interessante de fazer política.
 
PARTIDO VERDE No seu jornal o ex-vereador Marcelo Bluma pede mudanças na política local. Mas lembro: o PV perdeu o monopólio da ecologia e não se compara ao PV da Alemanha. Sarney Filho (PV) é ministro do Meio Ambiente sem prestígio. No Decreto da ‘Renca’, ele confessou: “fui pego de surpresa”. Apesar de seus 7 deputados federais o PV continua invisível.
 
BRINCADEIRA Na busca de votos o Planalto apoia o Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Os benefícios: aposentadoria integral, averbação dos mandatos anteriores com benefícios da paridade, acúmulo de benefícios acima do teto legal, pensão integral em caso de morte e custeio das aposentadorias por conta da União. Na outra ponta o Planalto quer a reforma da Previdência que reduz direitos dos demais brasileiros. Pode?
 
REPETECO? Um senador, um almirante e políticos malandros desafiaram o presidente Marechal Floriano em 1892. Ele mandou prende-los - avisando: “vão discutindo, que eu vou mandando prender”. Ruy Barbosa impetrou um habeas corpus no STF para soltá-los. Indignado, Floriano advertiu: Se os juízes soltarem os políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão”.
 
O EPISÓDIO pode se repetir, pois o povo indignado com tanta sacanagem dos políticos e complacência do STF com eles , pode buscar um novo ‘Floriano’ para mandar botar esse pessoal na cadeia. Daí que o deputado Jair Bolsonaro ( Patriotas) é figura presente em todas as pesquisas com seu discurso contra o que está aí.

O ELEITOR tem leitura própria deste episódio envolvendo o STF e o senador Aécio Neves (PSDB). Ele não se atem ao aspecto jurídico ( legal) que favorece o político. Sua visão é no campo moral. No seu imaginário estão as imagens do dinheiro recebido e os diálogos entre o senador e o pessoal do Friboi. Para o brasileiro comum – p...da vida – Aécio, a exemplo de tantos outros políticos, deveria estar sim na cadeia.
 
INOCENTES? Essa proximidade e envolvimento dos políticos com personagens suspeitos em episódios de corrupção não devem ser considerados pelo eleitor? Como acreditar na versão do ex-presidente Lula (PT) no caso do apartamento e recibos? A mentira tem dedo curto! E as malas do ex-ministro Geddel Vieira Lima caíram do céu?
 
NO BRASIL As leis que compõem o ordenamento jurídico, sob a égide do conceito da obediência as regras e rito processual, ajudam os políticos . A instituição do escabroso foro privilegiado para autoridades é bem parte disso. As firulas da defesa desembocam na prescrição dos seus crimes. Aí - é só sair e comemorar a ‘inocência’.


 
LAMENTÁVEL Por tudo isso é certo que nas próximas eleições teremos esses personagens, suspeitos ou processados, disputando cargos por esse país afora. O percentual deles – no Congresso Nacional por exemplo – é assustador. Aliás, é de fazer rir a manifestação deles proclamando sua inocência quando citados na Lava Jato.


 
O JUDICIÁRIO também faz o ‘jogo’. O ministro Fux posou de moralista no caso de Aécio, mas quando sua filha ( hoje desembargadora) disputava uma vaga no TJ do Rio de Janeiro – deu a liminar concedendo auxílio moradia aos magistrados. O caso lembra o Evangelho, onde Matheus sugeriu ao hipócrita a tirar as traves do próprio olho antes de apontar o cisco do olho do vizinho. Não escapa ninguém.

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