22/09/2017 - 08:14

Delação Premiada também no MS?

Manoel Afonso
DELAÇÃO Lembra o verbo delatar, que no fundo é o mesmo que caguetar, uma palavra pouco usada por não soar bem aos nossos ouvidos. Também tem tudo a ver com o termo dedurar, que por sua vez lembra o personagem ‘dedo duro’, um sacana traidor com recaída moral para salvar a própria pele. Não deve ser tratado como herói.

‘PREMIADA’ Esse tipo de delação, pelo que percebo nos círculos políticos , só é verdadeira quando efetivamente ferra os adversários. Ela divide opiniões, mas reforça a tese de que no Brasil o crime realmente compensa. Ao propor a devolução de certa quantia, é certo que o ‘arrependido’ desviou outra muito maior em nome de ’laranjas’.

A CONFERIR Na análise dos escândalos conhecidos que envolvem empresários e políticos em Mato Grosso do Sul, observadores que frequentam o saguão da Assembleia Legislativa já especulam sobre os próximos capítulos - inclusive com eventual delação premiada do empresário João Amorim. Teria coragem? Seria nitroglicerina pura! Implodiria projetos e lideranças políticas. 

JOÃO AMORIM Dentre tantos empresários envolvidos em escândalos é apenas mais um. Fruto da conveniência financeira em conluio com gestores públicos . Discreto, avesso a luz da transparência que devia reinar nas relações com o poder público, lembra aquele personagem do castelo que só age nas trevas. Mas entre sangue e dinheiro Amorim prefere o último. 

REFLEXÃO Quantos anos de vida útil tenho pela frente? O patrimônio financeiro que amealhei já é suficiente ou preciso de mais? Melhor uma vida modesta em liberdade ou do que a riqueza sem poder desfrutá-la atrás das grades? Claro - essas reflexões não são exclusivas de alguns delatores na ‘Lava Jato’; são comuns a todos que respondem a ações na Justiça Federal principalmente. 

PREOCUPA Inquérito é a fase de coleta de provas que subsidiam o Ministério Público numa eventual denúncia. Já o Ministério Público também atua com esmero para convencer o Juiz a aceitar a denúncia. Essas fases representam bem a morosidade da justiça - se por um lado passam a impressão de que tudo acabará em pizza – no outro aumentam a angústia de quem é investigado. 

ANGÚSTIA Ela é pessoal, intransferível. Um termo que define bem o sentimento de quem é réu ou está sendo alvo de investigações. Por melhor que seja o seu advogado, ele não consegue passar a tranquilidade, a certeza de liberdade definitiva. Se uma simples contravenção é capaz de tirar o sono, imagine as denúncias pelos graves crimes que se tem notícia! Indescritível é a angústia do ex-ministro Antonio Pallocci (PT).



MUDANÇA O conceito ou cultura do ‘jeitinho brasileiro’ na justiça mudou após as prisões e condenações pesadas de empresários e políticos, como do ex-governador Sergio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro. As decisões tem dois efeitos nos réus: o impacto inicial e depois passam a ser um incentivo a delação – antes que seja tarde demais! 



DESCULPAS Elas se parecem principalmente entre os acusados do PT e PMDB em denúncias de corrupção. “Pura perseguição”, imaginam-se suficientes para convencer a população a ignorar os fatos contra os ‘probíssimos’ presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente Lula (PT). Apenas ‘inverdades absolutas’, sucessão de coincidências?

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