21/05/2017 - 05:12

Dúvida cruel: quem irá nos ‘salvar’ agora? - Jornalista Manoel Afonso

Manoel Afonso
‘VALE TUDO’ Nesta novela de 1988, o personagem sacana vivido por Reginaldo Farias foge com a mulher e, na cabine do jatinho, dá uma ‘banana’ debochada. Após 29 anos, a ficção vira realidade: os irmãos Batista dão no pé e enviam carta infame pedindo desculpas. Aí lembro Cazuza cantando: “Brasil – Mostra a sua cara – Quero ver quem paga pra gente ficar assim – Brasil – Qual é o seu negócio?”

‘MAGIA’ A história da Friboi é pública. Sacou dinheiro do BNDES e nos governos Lula e Dilma cresceu 17 vezes. Aliás, esta relação promete revelações sensacionais. Mas, interessa aqui os estragos que a Friboi fez na economia estadual, onde acertou com os políticos, comprou frigoríficos e imperou absoluto ditando preços e condições aos produtores. Hoje, ao contrário dos alemães na época de Bismarck, nós sabemos como as linguiças e as leis são feitas.

SEM SAÍDA Vender pra quem, senão para a Friboi? Sem concorrência, a Friboi nadou de braçadas, depreciando inclusive o mercado do bezerro/garrote. F.... literalmente os criadores e invernistas, mas ajudou os políticos, que fazem vistas grossas a essa política de cartel vergonhosa.

‘MIGALHAS’ Pelo que fatura aqui, inclusive por conta dos incentivos fiscais estaduais com a ‘Celulose Eldorado’ em Três Lagoas, ‘que foi pouco’ o que investiu nas eleições para o Senado e Governo em 2014. R$10,5 milhões ao PSDB; R$5 milhões ao PMDB; R$ 400 mil ao PP e R$ 154 mil ao PT. Detalhe: só cachê de Andrea Boccelli para cantar na inauguração da Eldorado foi de R$ 1 milhão.

VENDO essa aliança esdrúxula dos políticos, alguns deles pecuaristas, com a JBS e Friboi, não há como deixar de citar o Nelson Rodrigues em sua genial definição: “Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral”. A imprensa local tem sim o dever de levar esses fatos ao conhecimento da população.

O NOVO? Evidente que o quadro nacional poderá influenciar o eleitor local na sua análise das possibilidades ou perspectivas do pleito de 2018. Ora! A sucessão nacional – pelo calendário – ocorrerá junto com a sucessão estadual. Daí tudo poderá ocorrer dependendo dos protagonistas e do quadro à época.

O ESTIGMA que colou na classe política que ‘habita’ Brasília contamina por analogia grande parte dos políticos regionais. Salvo as exceções, aqui a imagem da classe política por conta dos currículos e escândalos leva o eleitor a repensar liberto de velhas paixões, partidos e lideranças.

A RAPIDEZ dos fatos do cenário político associada à situação econômica enseja a reflexão sobre conceitos administrativos e seus líderes. Não é por acaso, por exemplo, que o prefeito paulistano João Dória Jr. ganha força, passando a ser visto como nova opção ao Planalto em 2018. Mas advirto: o Brasil ainda não chegou ao fundo do poço.

EVIDENTE que estereótipo do novo político diz mais de suas atitudes comportamentais e exemplos de vida do que sua idade. Vale sim o seu preparo, comprometimento com ideias modernas, transparentes e de acordo com as necessidades do povo. Já ouço por aí algumas reflexões neste sentido.

EXEMPLO local que ganha chances é do senador Pedro Chaves (PSC), com disposição de ocupar o espaço da candidatura majoritária. A estrada é longa, mas há ambiente para costuras, agregando lideranças e partidos para duas vagas ao senado e a vice governador. É pra pensar sim!

TORNOZELEIRA Com ou sem ela, o ex-governador André Puccinelli saiu ainda mais fragilizado. Como no episódio da prisão do ex-deputado Edson Giroto (PR), adotou a postura passiva – estranha a sua personalidade – não se defendendo na imprensa das graves imputações contra sua honra.

ALEGAÇÕES de abuso de autoridade de nada adiantam; os estragos irrecuperáveis. As prisões de pessoas ligadas ao ex-governador funcionam como combustível inflamável na fogueira da imaginação popular, onde as versões populares se sobrepõem as provas processuais inclusive. A casa caiu junto com o mito?



OS ÓRFÃOS de André fazem o que podem para minimizar os estragos. O choro é grande. Sem outro nome à altura, o caminho inicial seria o PSDB. Mas no saguão da Assembleia Legislativa ouvi a tese de que tudo dependeria da performance da atual gestão tucana e até dos reflexos de Brasília.



CIRO GOMES Aos 60 anos, o mesmo crítico com soluções para todos os males. Perguntei-lhe sobre sua derrota nas eleições de 2002 e ele confessou na lata: “perdi pelas bobagens pessoais”. Tenta postar-se como alternativa da esquerda, aposta na imprevisibilidade na política. Tá na área, tenta o gol que perdeu lá atrás.

Voltar
Site desenvolvido por: