18/11/2017 - 04:23

Falta honra, sobra esperteza - Manoel Afonso

Manoel Afonso
HONRA’ Vem do latim ‘honor’, sinaliza a própria dignidade de uma pessoa que pauta seu modo de vida nos ditames da moral. Para o jurista italiano Adriano de Cupis “é a dignidade pessoal refletida na consideração dos outros e no sentimento da própria pessoa.” Dignidade lembra nobreza, respeitabilidade e autoridade moral.
 
A FRASE “Pode haver honra entre ladrões, mas não entre políticos “ – atribuída a Thomas E. Lawrence, diplomata inglês, agente secreto, arqueólogo e militar conhecido no filme “Lawrence da Arábia”, estrelado por Peter O’Toole (1962) se encaixa como uma luva no Brasíl atual que respira delações dos homens públicos e coligados (operadores & laranjas). 
 
‘COINCIDÊNCIAS’ que se encaixam num efeito cascata. Primeiro foi o doleiro Lúcio Funaro que abriu o bico para salvar a própria pele em delação homologada no STF pelo ministro Fachini. Contou coisas do arco da velha. Uma delas é que o ‘nosso’ Ivanildo Cunha Miranda intercedeu para a concessão do empréstimo de R$350 milhões pela Caixa E. Federal ao Marfrig e levou R$ 9 milhões de propina divididos para ele, Geddel Vieira, Funaro e os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves. 
 
AGORA para escapar da cadeia, Ivanildo confirmou a revelação de Funaro em delação premiada que está tirando o sono de muita gente por aqui. Aliás, tirou mais que o sono. Tirou gente de casa direto para a cadeia. É o caso do ex-governador André Puccinelli que experimentou o vexame da desonra pessoal de acabar atrás das grandes no desconforto de uma cela para 20 meliantes. Pior ainda a experiência de ter ao seu lado – também preso - o filho advogado André Puccinelli Jr. alvo de graves acusações. Foram libertos e justificam o velho refrão: “O que dizer em casa?” 
 
HILÁRIA A opinião pública ironiza a situação do advogado André Puccinelli Jr. devido a ‘fantástica’ venda de livros de sua autoria. Pelo visto ele não teria sido aluno presente as aulas de Ética, não assimilando os conselhos dos mestres Sócrates e Demóstenes. Agora, ao lado dos outros dois sócios que acabaram presos, corre o risco de passar pelo crivo do Conselho de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil. O que seus alunos acadêmicos estarão pensando de tudo isso? Boa pergunta. 
 


INVENÇÃO? Para a Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União o ex-governador André seria chefe de um grande esquema de propina há mais de 10 anos com R$235 milhões comprovados até agora. Quem diz isso é o delegado Cléo Mazzotti, da Polícia Federal. Mais uma vez, as mesmas figuras envolvidas: os empresários João Amorim, João Baird (estão em todas), Mirched Jafar (Gráfica Alvorada), Antonio Cortez, João Maurício Cance e André Luiz Cance. Figuras influentes na administração de André como constam de várias denúncias.



HORROROSO o cenário em nosso Estado, que lembra o Rio de Janeiro inclusive neste aspecto. O cidadão consciente e desapegado de ‘ interesses pessoais’ está revoltado com tamanha desfaçatez. Eleito e reeleito ao Governo Estadual, André está devendo uma entrevista coletiva à imprensa para se defender e prestar contas à população. Mas aquele político sem meias palavras, ativo, está acuado e fragilizado. Pode estar apenas adiando o anúncio de que jogou a toalha na empreitada de disputar o Governo, optando por alternativa que lhe garanta os benefícios do foro privilegiado indispensável – custe o que custar. A prioridade é a liberdade.

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