17/06/2018 - 06:42

O passado acabou – o futuro não chegou

Manoel Afonso
O RESUMO  da frase do filósofo comunista italiano Antonio Gramsci (“A crise consiste no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer”) serve como uma luva para descrever o quadro político, econômico e social do Brasil. Se possível fosse, haveríamos de reinventar o país. A letargia é tal que o cenário acaba inclusive influenciando no ânimo de torcer pela nossa seleção de futebol - como bem postou o deputado federal Fabio Trad (PSD) em artigo recente. 

A ECONOMIA  não pode ser avaliada apenas pela ilusão da inflação em baixa como ufana o Governo. A pergunta que não se cala: quais segmentos de atividades da iniciativa privada são lucrativos hoje? Do dono do posto de combustíveis ao supermercadista reina um clima de suspense, insegurança. Recorrer ao sistema financeiro – nem pensar! Os juros pela hora da morte. A descapitalização - um fantasma cada vez mais presente.

CONCLUSÃO  Se o segundo semestre promete ‘fortes emoções’, é certo que o próximo ano – independentemente  de quem ganhe as eleições presidenciais – há mais dúvidas do que certezas.  Aliás, a certeza intocável – cristalina - é que 2019 será um ano muito difícil para todos nós. Não é preciso ter ‘PHD’ em economia para fazer essa avaliação, simples, mas  apenas calcado no bom senso do brasileiro que trabalha com os pés no chão pagando impostos acharcantes. 

O QUADRO  já reflete neste período que antecede as eleições. Os eleitores sem motivação. Os próprios políticos confessam a ‘saia justa’ em algumas situações. Na Assembleia Legislativa deputados confessam ao cronista que fazem questão de se identificar pela formação profissional – colocando a titularidade do mandato parlamentar como atividade temporária ou secundária.  O deputado Paulo Siufi (MDB) por exemplo, prima-se em colocar a profissão de médico em primeiro lugar quando se identifica. 

CANDIDATOS Qual dos postulantes  ao Palácio do Planalto preenche todos os requisitos para corresponder aos anseios do eleitorado tão desiludido?  Os números das pesquisas – onde brancos e indecisos constituem a maioria – mostram o ceticismo  quanto as propostas acenadas.  Neste contexto  o terreno está adubado para germinação dos ‘Salvadores da Pátria’. 

LEMBRETE   Nesta fase atual de preparativos da corrida eleitoral proliferam as pesquisas. Aqui cabe ressaltar que dois itens são fundamentais na avaliação correta delas. Primeiro é o índice da rejeição – segundo é o índice conquista na espontânea. Tudo além disso é apenas chantilly no bolo eleitoral. 

COISA RUIM!  Eleitor  indignado pode ir tirando o cavalinho da chuva. Pelas sondagens partidárias, a tendência é que a reeleição ocorra entre 60% e 70% da atual Câmara dos Deputados. A conclusão é simples: a próxima legislatura continuará com os mesmos vícios  e praticas indecorosas da atual composição legislativa. Estamos literalmente fritos.

CONVENCE?  O PSDB prepara uma série de propostas para sensibilizar o eleitor nestas eleições. Uma delas seria aquela que diminui o número de senadores e deputados na Câmara Federal. Mas convenhamos  que há outros pontos a serem atacados. A reforma da previdência, os gastos dos 3 poderes – por exemplo - não podem ser esquecidos. 

PARTIDOS   Lembram as prateleiras de supermercados lotadas de sabão em pó das mais diferentes marcas, mas que são de um mesmo fabricante.  Apenas as embalagens mudam. Sem competição verdadeira, o consumidor – tal qual o eleitor nas urnas – faz a escolha influenciado pelo cheiro ou propaganda. Quanto aos candidatos, parecem mais preocupados em garantir suas posições pessoais do que construir uma nação de verdade.



CAMPANHAS  Se nelas falta conteúdo, sobra pompa com o uso de recursos modernos na mídia principalmente. O que vale é a aparência. Esse ufanismo pela democracia em tempos de eleição é falso. É apenas um disfarce para esconder nossos problemas e os vícios  das campanhas eleitorais permitidas em leis criadas pelos políticos. O Fundo Partidário é um exemplo desta barbaridade em nome da democracia ( com corrupção). Gastam com jatinhos e marqueteiros inclusive. Será que o eleitor sabe quanto o seus candidatos vão torrar nestas eleições?



VERDADE “O mercado prefere Geraldo Alckmin, mas ‘comprou’ Bolsonaro.” Esse o título de artigo recente do jornalista Itamar Garcez  mostrando os resultados de sondagens da XP Investimentos com 204 investidores institucionais  tidos como tubarões do mercado. Essa tendência mostra que o pessoal do dinheiro não se preocupa quem seja o dono da bola. Quer apenas que seja permitido ‘jogar’. É assim que funciona na China por exemplo. 

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