12/10/2018 - 17:25

Os grandes derrotados no Mato Grosso do Sul

Manoel Afonso
O TÍTULO da coluna anterior já advertia: o eleitor iria as urnas com a faca afiada. E não deu outra. Com os velhos discursos desconexos com suas praticas, os políticos tradicionais foram sumariamente demitidos. Prevaleceu a indignação da opinião pública ancorada no resgate dos valores morais, da família, da segurança e contra a corrupção em todos os níveis. O país mudou: as redes sociais esvaziaram a velha metodologia de se fazer campanha política. 
 
OS NÚMEROS finais mudaram o quadro político estadual. Velhos paradigmas foram quebrados e junto com eles lideres e partidos saíram menores do que entraram. Dois casos emblemáticos: PT e PMDB – esvaziados e sem perspectivas de se renascerem das cinzas em face a nova realidade. Os políticos precisam se precaver para o pleito de 2020 que pode dar sequência ao festival de surpresas. É bom não brincar com o eleitor. 
 
EM BAIXA O MDB local resumiu-se agora a 3 deputados estaduais, uma senadora e prefeitos de 18 cidades de pequeno porte: Anaurilândia, Antônio João, Batayporã, Brasilândia, Costa Rica, Coronel Sapucaia, Deodápolis, Juti, Laguna Carapã, Maracaju, Miranda, Nova Alvorada do Sul, Paraíso das Águas, Ribas do Rio Pardo, São Gabriel Do Oeste, Sonoro, Tacuru, Vicentina. 
 
REFLEXOS O desgaste do MDB como sócio do PT no poder , além dos desempenhos eleitorais ruins do senador Moka (MDB) e do candidato Jr. Mochi (MDB), ficou visível nas votações de seus postulantes à Assembleia Legislativa – onde elegeu apenas 3. Renato Câmara (MDB) que em 2014 atingiu 36.903 votos – chegou agora a 33.291 (3.612 votos a menos); já Eduardo Rocha (MDB) que obteve 30.873 votos em 2014 não passou de 22.347 votos ( 8.526 votos a menos). O único que melhorou a votação foi Marcio Fernandes, pulando de 22.357 votos em 2014 para 23.296 votos ( 939 votos a mais). 
 
MAIS DECEPÇÕES Os dois únicos vereadores do MDB na capital, Loester Nunes e Wilson Sami também não foram bem. O primeiro foi candidato a deputado estadual e chegou apenas aos 9.694 votos. Já o segundo, também médico, postulou a Câmara Federal e obteve só 7.529 votos. Ruins também as votações do ex-deputado e ex-prefeito de Corumbá – Paulo Duarte MDB) para o Legislativo Estadual – 17.343 votos e do deputado Paulo Siufi (MDB) à reeleição da Assembleia Legislativa: 8.649 votos. 
 
‘SAYONARA’ Aos 77 anos de idade o deputado estadual George Takimoto dando adeus a política. Neste ano deixou o PDT seduzido pelas promessas do ex-governador Puccinelli e ingressou no MDB para chegar mais fácil a Câmara Federal e conquistou só 26.025 votos. Mas ele não pode reclamar da vida: foi vice prefeito de Dourados (1982), vice governador, deputado federal, e agora duas vezes deputado estadual. 
 
DANÇOU O promotor de justiça Sergio Harfouche (PSC) fez tudo direito até o jogo começar. Deu palestras e lotou ginásios de esportes mesclando cidadania, política e religião. Mas errou feio a aceitar a candidatura a vice governador de Simone Tebet do MDB – sigla estigmatizada por acusações de corrupção e que levou o seu líder local (Puccinelli) para a cadeia. Essa incoerência, ainda que temporária decepcionou seu eleitorado. Os 292.301 votos recebidos ficaram de bom tamanho, mas ele perdeu uma boa chance. Quem sabe no futuro, desde que aceite bons conselhos. Um aprendizado. 
 
AZAR & SORTE O quociente eleitoral fez estragos e 11 candidatos se deram bem embora tivessem menos votos para a Assembleia Legislativa. Azar da deputada Mara Caseiro (PSDB): obteve 23.813 votos – total superior a 11 concorrentes e ficou na 1ª. suplência. Sorte de João Henrique (PR): com apenas 11.010 votos garantiu a última vaga beneficiado pelas expressivas votações dos candidatos Coronel David e Capitão Contar, ambos do PSL. Sorte também do candidato Lucas de Lima (Amor Sem Fim) do SD – apesar de votação inferior a 7 postulantes, foi beneficiado pelo quociente e se elegeu com 12.391 votos à Assembleia Legislativa. 
 
EQUIVOCADO Faltou alguém para avisar Delcídio Amaral (PTC) que ele teria grandes chances de se eleger deputado federal e assim tocar em frente o seu projeto. Se tivesse sido, teria recebido mais dos que os 109.927 votos obtidos como postulante ao Senado. Havia uma espaço enorme do qual ele poderia ser beneficiado., ao contrário da eleição senatorial que estava congestionada com candidatos competitivos. O relógio não para! Qual seu futuro? Tentar a prefeitura da capital ou quem sabe de Corumbá? 
 
MUSCULATURA Foram apenas 25.851 votos a menos do que a votação de Soraya Thronicke (PSL) e só 9.566 a menos da votação do candidato Moka (MDB). Portanto, os 347.861 votos do candidato ao senado Marcelo Miglioli (PSDB) mostraram seu excelente desempenho se levados em conta vários fatores. Mas como estreante fez bonito superando inclusive o candidato Zeca do PT em 53.802 votos. Miglioli saiu fortalecido do embate eleitoral. 
 
ZECA DO PT Saiu mortalmente ferido desta guerra. Seu favoritismo nas pesquisas para a segunda vaga não se confirmou e amargou o 5º lugar com 294.059 votos – apenas 1.758 votos a mais do que Harfouche (292.301 votos). Embora aguerrido e pretendendo manter o comando da sigla, não se sabe qual caminho seguirá. Pode estar esperando o resultado da sucessão presidencial. Para piorar, apenas cabo Almi e Pedro Kemp se reelegeram a Assembleia Legislativa. Já Vander Loubet (PT) se reelegeu para a Câmara Federal com 59.970 votos contra 69.504 votos em 2014. Portanto 9.534 votos a menos. 
 
SORAYA THRONICKE A grande estrela destas eleições sem nunca antes ter participado de qualquer pleito. A candidata ao Senado pelo PSL surpreendeu com 373.712 votos, contra 424.085 votos de Nelson Trad Filho (PTB). Uma diferença entre ambos de 50.373 votos. A votação aumenta a responsabilidade de Soraya no exercício do mandato. Ela precisa aproveitar esse perigo que antecede a posse para se aprofundar no conhecimento da vida política do Estado e sobre o exercício do mandato no Senado. Ela precisa descer do salto e ouvir conselhos de gente mais experiente. Certo? 
 
NELSINHO TRAD (PTB) Estava no lugar certo e na hora certa, não teve dificuldades apesar de sua votação menor do que as projeções iniciais. Mas tem um mandato poderoso nas mãos para participar do jogo político exatamente quando algumas figuras da velha guarda do Estado estão saindo de cena por motivos diversos. Não deve deixar o partido para não ficar preso ou dependente como no passado quando que ficou subordinado a liderança do então governador Puccinelli (MDB). 
 
FÁBIO TRAD Prejudicado em 2014 pelo esquema governista que priorizou as candidaturas de Carlos Marun MDB (91.816 votos) e Tereza Cristina PSDB (75.149 votos), quando obteve 67.508 votos, o deputado Fabio Trad (PSD) se reelegeu agora para a Câmara Federal com 89.385 votos, dos quais 57.020 votos na capital – onde foi o mais votado. Mesmo aqueles que não se identificam politicamente com ele reconhecem seu preparo para o exercício do mandato. 
 
ROSE MODESTO Campeã de votos. Mais um desafio que ela enfrentou obtendo 120.901 votos. Essa vitória aumenta sua musculatura para futuros embates, colocando-a no seleto rol daqueles personagens com futuro na política local. Companheira do governador Reinaldo (PSDB) aumentou seu cacife para voos mais altos. Articulada e atenta é também cuidadosa para não atravessar o sinal. Vai se dar bem em Brasília. 
 
BETO PEREIRA (PSDB) Foram 80.500 votos espalhados por todos os municípios e tornou possível seu sonho de integrar a cobiçada bancada federal. No café amigo que tivemos ele revelou com desenvoltura seu conhecimento sobre os desafios que considera uma espécie de incentivo para a superação. Beto quer aproveitar seu vigor físico e intelectual para mostrar serviço não só para trazer benefícios ao Estado e municípios, como também para participar ativamente dos embates em plenário. Está feliz e animado. Isso é bom! 
 
A VOLTA No saguão da Assembleia Legislativa as chances da eleição do ex-deputado Londres Machado (PSD) sempre constaram da ‘pauta’ dos observadores de plantão. Alguns pessimistas, outros otimistas por várias razões que dispensam comentários. Mas o retorno dele, com seu senso de equilíbrio, dará uma contribuição impar ao Legislativo que ele conhece desde a criação do Estado. Foram 20.782 votos suficientes para seu retorno. 
 
DOURADOS Desta vez ficou sem deputado federal mas tem o candidato a vice governador  Murilo Zauith (DEM) e elegeu 6 deputados estaduais: Renato Câmara (MDB) 33.291 votos; Zé Teixeira (PSDB) 30.788 votos; Barbosinha (PSDB) 27.492 votos Marçal Filho (PSDB) 25.437 votos; Londres Machado (PSD) 2.782 votos e Neno Razuk (PTB) 19.472 votos. Desnecessário comentar a influência destes nomes na sucessão municipal. 
 
NA ONDA Cerca de 20 autoridades tentaram vaga na Assembleia Legislativa: Bombeiro Mota, Bombeiro Quintana, Capitão Contar, Coronel David, Cabo Almi, Coronel Eziquiel, Cel Izaías Bitencourt, Coronel Vilassanti, Delegado Cleverson, Delegada Sidneia, Delegado Bispo, Inspetor Sodré, Sargento Prates,, Sargento Betânia, Sargento Elmo, Sargento Edi Marco, Sub oficial Gerson, Sub Tenente Mota, Policial federal Jorge Caldas. Para a Câmara Federal tivemos Sub Oficial Mabel, Sub Oficial Maurício e Tenente Mônaco. 
 
DE CARONA Paranaíba voltará a ter um representante na Assembleia Legislativa através dos laços afetivos que o deputado eleito João Henrique (PR) mantém com a cidade que lhe deu 4.172 votos. Por ser neto do ex-governador Marcelo Miranda, ele contou com o apoio de um tio vereador e alguns conhecidos da família. No fundo, as velhas lideranças de lá, devem ter torcido o nariz com a eleição dele que ocupa um espaço importante. 
 
“Haddad é refém da alcateia que finge a voz da vovozinha.” (Rogério Distéfano) 
Voltar
Site desenvolvido por: