09/03/2018 - 05:05

Candidaturas esquisitas

Dante Filho
Vivemos um momento histórico em que todos dizem sentir ojeriza da política. Dou razão. Mesmo assim, em conversas de adultos o assunto é recorrente. Nos últimos tempos, não há um único dia em que eu não tenha sido interpelado sobre o assunto que mais diverte nesses dias chuvosos: quem serão os candidatos ao governo do Estado neste sagrado ano de 2018? 

Sempre respondo o óbvio: André Puccinelli, Odilon de Oliveira e Reinaldo Azambuja. O resto é periferia. 

E invariavelmente meus interlocutores respondem: Puccinelli não será candidato porque corre o risco de ser preso; Odilon está apenas fazendo uma jogada combinada com a turma do jogo do bicho para viabilizar dinheiro para a campanha ao senado; e Azambuja está com medo de se enrolar mais à frente por causa do escândalo e das delações do JBS. A matriarca da República de Maracaju teria solicitado que ele desistisse em nome do patrimônio da família. 

Essas informações são especulações, delírios e intrigas políticas. Ninguém sabe a verdade. A imprensa não pergunta diretamente aos candidatos sobre essas fofocas circulantes que, no momento, tem mais valor do que informações factuais. 

Só respondo pelo que vejo: no último encontro social que tive com Puccinelli ele me pegou no braço, olhou nos meus olhos, e pediu apoio e voto (dificilmente ele seria tão cínico ao ponto de fazer isso se não desejasse disputar); Odilon nunca vi na vida, nunca nem cheguei perto por razões óbvias (dizem que o homem anda com seguranças armados); e Azambuja, quando me vê, parece tremer de medo, e é imediatamente cercado por assessores, como se eu fosse um homem-bomba islamita. 

Assim, só posso depreender que Pucci percorre verdadeiramente o caminho de sua candidatura, enquanto os outros dois seguem ainda na senda das hipóteses. Claro que todos agem como se estivessem esquentando os motores . Nos bastidores se movimentam, dão sinais aqui e ali, preparam o jogo, mas ninguém sabe direito o que os próximos meses reservam. 

Mas desse relato todo acima, surge outra pergunta: qual a razão para essas dúvidas? Será que tudo não faz parte daquele joguinho de adivinhações e apostas dos donos dos cassinos e dos hipódromos? Será que existe uma banca paralela movimentando dinheiro da jogatina em torno desse tipo de especulação? 

Não sei nem quero saber. Em Mato Grosso do Sul tudo é possível. 
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