09/10/2018 - 04:35

Bolsonaro impulsionou votação, dizem deputados mais votados de MS

Correio do Estado
Um voto em cada 12. A média, expressiva e surpreendente, poderia se referir à eleição para governador. Mas não. Foi o resultado atingido por apenas dois dos 24 deputados estaduais eleitos em Mato Grosso do Sul, Capitão Contar e Coronel David, 78.390 e 45.903 votos, respectivamente, ambos representantes locais do PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, que concorre no segundo turno com Fernando Haddad (PT).

Para se ter uma ideia, a média de votação dos dois deputados foi maior do que a da presidenciável Marina Silva (PV) no primeiro turno, a nível nacional, no último domingo (7). E não foi uma coisa restrita. Em São Paulo, a advogada Janaína Paschoal, que ganhou notoriedade no impechmeant de Dilma Rousseff (PT) em 2016, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa local com 2.031.829 votos, maior número da história do País.

Partido nanico praticamente inexistente em 2014, quando teve apenas um deputado federal eleito no Brasil, a sigla de Bolsonaro se consolidou como a principal força de direita e anti-PT do País, com quatro senadores, entre eles Soraya Thronicke, eleita no Estado com 373.712 votos, e 52 congressistas federais, bancada menor apenas que à petista, com 56 eleitos.

"Sou muito humilde em dizer que não esperava (uma votação desse tamanho), mas sim algo em torno de 30 mil votos", disse Coronel David, ex-comandante-geral da Polícia Militar e líder do PSL no Estado. 

Ao Correio do Estado, David é direto em apontar o motivo da votação expressiva: o nome de Bolsonaro, o que não acarretou uma surpresa isolada, mas sim um trabalho sólido dos eleitores do presidenciável em eleger uma base de sustentação para a gestão.

"As pessoas esperaram até o último momento para decidirem os outros votos, a campanha ficou muito focada em presidente e governador. Não houve pressa. Na última hora, as pessoas escolheram os nomes ligados ao Bolsonaro, com a proposta que elas acham melhor e mais bem preparadas para o País", disse.

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

Se David por um lado diz que seu trabalho à frente da PM e a própria trajétoria nos últimso quatro anos na Assembleia lhe credenciam junto ao eleitor, o mesmo não pode ser dito de Capitão Contar, um ilustre desconhecido de grande parte do público e que terminou o pleito coma  maior votação de um deputado na história de Mato Grosso do Sul.

Uma nova forma de fazer política, admite Renan Contar, militar do Exército formado na Academia Militar dos Agulhas Negras, residente em Campo Grande e que, em sua campanha, percorreu 8 mil quilômetros pelo Estado de moto, passando pelos 79 municípios sul-mato-grossenses.

"Nós fizemos um trabalho formiguinha, com amigos e voluntários, sem ajuda de palanques e dinheiro do fundo partidário. E não estivemos nas ruas bandeirando, até porque as pessoas querem algo novo, elas querem falar sobre política, querem conhecer o candidato e saber as suas propostas, e foi desta forma que fiz a minha campanha", disse Contar.

Moto, aliás, é a principal paixão do mais novo deputado, que em seu site alerta em sua lista de feitos o fato de ter atravessado todo o continente americano.

Não que seja o fator primordial para sua alta votação. O capitão atenta que candidatos ligados à segurança atendem anseios da população, como credibilidade, respeito e trabalho em prol da comunidade. Vai além, claro. Ao lado de Bolsonaro, que gravou vídeos pedindo votos a seu nome, diz que existe credibilidade com a imagem de integrantes das Forças Armadas candidatos.

"O militar carrega consigo o amor a pátria, além de valores como ética, transparência e o combate a corrupção. Fatores que tem se destacado entre os assuntos que as pessoas querem discutir na nossa política", disse.

PROTAGONISMO

Experiente nos bastidores políticos, David admite que a vitória do PSL nas urnas acarreta a aproximação de outros partidos. Não demorou mais de 12 horas do fim da apuração, por exemplo, para o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que disputa a reeleição no segundo turno contra  Juiz Odilon (PDT), declararem apoio a Bolsonaro. "O telefone não parou de tocar", brincou o PM reformado.


 "Claro que como líder do partido e deputado eleito posso sugerir alianças aqui, mas a decisão será toda do Bolsonaro. É ele quem vai escolher quem de fato será integrado à campanha. Mas não posso passar disso, de dar opinião", destacou.

Para David, a bisca por alianças é mais um reflexo do sucesso da campanha de Bolsonaro. "Ele nunca buscou apoio algum. Fez concessão nenhuma em busca de governo. Se candidatou fiel ao que acredita e com um projeto claro, ganhando uma base de sustentação grande própria para fazer o que precisa ser feito", disse, provocando os opositores do capitão reformado. "Mostrou que não é uma candidatura de fantoche. O problema é que as pessoas exigem coisas nunca exigidas do Bolsonaro. Vê se a esquerda falou algo sobre o Lula entender de economia em 2002 (ano em que o líder petista foi eleito presidente pela primeira vez)."
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