01/07/2018 - 06:56

Candidato ideal – quem souber favor avisar

Manoel Afonso
CONTROVÉRSIAS  A falta de um código eleitoral atualizado gera polêmicas. A questão das candidaturas e eventuais prisões de candidatos é um nó a desatar. O entendimento de que o candidato não poderá ser preso ( salvo em flagrante) após o registro da candidatura fomenta o sentimento de impunidade. A candidatura passa a ser o salvo conduto para quem tem problemas com a justiça. É obvio, a candidatura do ex-governador Puccinelli ( MDB), por exemplo, visaria também livrá-lo de eventual prisão pela Justiça Federal. 

MORREU Alarico Reis D’Ávila, ex-deputado estadual (PTB). Saiu de cena sem alarde, em paz, recolheu-se ao lar curtindo seu jardim e ouvindo os pássaros -  cena bucólica que testemunhei repetidamente.  Homem de seu tempo, de outros valores!  A última aparição pública foi na homenagem que a Santa Casa prestou-lhe como ex-dirigente. Vicente Vuolo, Edson Brito, Edyl Ferraz, Lourival Fontes, Fauze Scaff  - alguns dos ex-colegas de parlamento em Cuiabá. “O passado não é aquilo que passa, mas o que fica do que passou” (Tristão de Athayde).

‘FAKE NEWS’  Quando Donald Trump disse  “you’re fake news’ ao jornalista da CNN, plantou algo novo no cenário político.  ‘Fake news’ motiva debates. Com a tecnologia atual, a guerra de imagens e notícias manipuladas ocorrerão. Os políticos terão que ter boa equipe para combater as notícias falsas na justiça, que pode não ter a mesma agilidade de seus postadores. Em quem o eleitor vai acreditar? Boa pergunta.

DESMENTIR  as notícias e imagens podem não ser suficiente em alguns casos. Exige-se algo mais sob pena de estragos irreversíveis. É bom lembrar: os recursos tecnológicos permitem montagens imperceptíveis de fotos e documentos oficiais. A afirmativa do ministro Luiz Fux (STF), de que eleições poderão ser anuladas devido as notícias falsas, dão a dimensão de como o caso está sendo tratado pela justiça.   

OUTROS TEMPOS  O envolvimento de policiais militares com o crime organizado mereceram comentários do deputado cabo Almi (PT) ao colunista. Diz que o cenário é diferente da época (1983) de seu ingresso na corporação. Os soldos de  hoje são muito melhores proporcionalmente.  Admite:  tudo isso prejudica a imagem da polícia junto a população. A polícia virando caso de polícia.  

‘WANTED’ Procurar o candidato perfeito seria como sonhar com uma noiva ideal que tivesse uma família sem problemas por exemplo. Não existe. Na escolha do candidato adota-se o sistema natural de exclusão e então acaba sendo escolhido o  menos pior ou algo parecido. Quando converso com o eleitor na faixa entre 30 e 60 anos, percebo isso. Com 41% do eleitorado desalentado e raivoso sem candidato, a sucessão presidencial continua aberta. 

LAMENTÁVEL Pelo ‘Datafolha’, 62% dos jovens, ( 20 milhões de 16 a 24 anos), querendo dar o fora, tentar a sorte no exterior. Não são desertores, mas não querem virar Uber ou vender brigadeiros. Querem emprego, um futuro melhor. Será que os políticos estão preocupados com esses dados alarmantes?  Afinal, a cambada que aí está não é eterna. E a situação lá fora não é boa para os imigrantes: Humilhações e riscos.   

ALGEMAS  As cenas dos jovens algemados nos pés e mãos no caso da imigração (USA) mostram a  pratica diferente da nossa Só porque  o ex-governador Sergio Cabral (MDB-RJ) foi algemado criou-se a polêmica, como se ele não causara tantos males ‘via corrupção’. ‘Direitos Humanos’. A OAB  fez sua parte - à serviço dos clientes ricos, ignorando quem morreu nos hospitais  sem assistência devido a grana roubada por sua ‘excelência’. 

NO ESPELHO  Ruim a imagem da justiça: perde de goleada para os bombeiros. O índice do ‘Data Folha’ em 2017  piorou com as últimas decisões do STF beneficiando políticos e  poderosos – notadamente  na ‘Lava Jato’. A política entranhou-se na mais alta corte do país e até o impossível virou possível.  Não será surpresa por exemplo se o ex-deputado Edson Giroto (PR) ( e cia) ganhar a liberdade em breve.   

DESAFIOS   A indignação do eleitorado de Tocantins (quase 52% de ‘não votos’) é a amostra grátis do que virá nestas eleições. Os otimistas insistem: era uma eleição atípica ‘meia boca’, mas ignoram as pesquisas confiáveis. Fisgar o eleitor esclarecido será bem difícil. Já quanto ao eleitor de ocasião ($$$$$$$$$) exigirá muita ‘$aliva. Se não é o Brasil que queremos, é o país que temos.  A escolha dos candidatos nada mais é que o reflexo do caráter do eleitor. Mas é hora de puxar a ‘descarga’ nas urnas. 

PARAFRASEANDO o poeta Fernando Pessoa: “No Brasil vale a pena roubar, desde que a quantia não seja pequena”. Surrupiar sabonete na farmácia, bolacha no rmercado  não pode. É ferro! Quanto aos roubos gigantes travestidos de desvios de verbas, superfaturamento e comissões em  emendas parlamentares, são vistos sob outra ótica pela justiça. Além do mais, pela anomalia do foro privilegiado a prescrição tem sido um santo remédio que salva a maioria dos políticos ladrões. E segue a santa procissão. 



MAIS UM... Será que o apresentador de TV José Luiz Datena (DEM) fez a análise correta  dos riscos e consequência de disputar o Senado em São Paulo? O olhar crítico de quem está fora da política é diferente de quem vive no meio dela, onde a vontade individual se perde nos interesses obscuros do Congresso.  Acho que ele mais perde do que ganha ao ficar sem o canhão da  TV.  onde tem a boa imagem consolidada. Quem trocou a mídia pela política partidária não correspondeu ou se frustrou. Os exemplos vocês conhecem inclusive em nosso Estado.



ENQUANTO  está no exercício da função, o apresentador – de alguma forma –  só não deve contrariar os interesses da empresa onde trabalha. Até aí tudo bem. Mas eleito, estará sob o jugo de seu partido e dos interesses diversos de seus dirigentes, sob o risco inclusive de perda do mandato. Isso sem contar que o universo político é uma teia de aranha que engole os inocentes e inexperientes.      

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