07/12/2017 - 09:10

O dedo do PT na Previdência do MS

Manoel Afonso
1-REPAROS Sindicalistas e políticos do PT criticam a postura do Governo Estadual, mas ‘esquecem’ dos fatos ocorridos durante o Governo de Zeca do PT. Veja bem: em 2000 foi extinto o Previsul, transferindo o ativo, passivo patrimonial e pessoal à Secretaria de Administração, com o Governo arcando com o pagamento dos benefícios naquele ano. 

2-REPAROS Em 2001 a Lei Estadual 2.346 autorizou o governo a alienar todos os bens do extinto Previsul e a assistência à saúde foi para a Cassems. Ainda em 2001 foi implantada a reforma da previdência junto com a contribuição para aposentadoria de civis e militares, elevando a alíquota de contribuição do servidor de 6% para 9%.

3-REPAROS A Lei 3.150 em vigor data de 2005, retificou, ratificou e consolidou a Lei 2.207 (de 2001), ajustou o MSPREV às regras da EC nº 41 e 47, dando condições de compensação pelos poderes e órgãos independentes de necessidades financeiras do MSPREV. Tudo isso no Governo do PT. Se o déficit em 2014 foi de R$ 800 milhões, a culpa não é da atual gestão que gastou R$160 milhões com assistência médica só em 2016. 

O DISCURSO do PMDB nos tempos do regime militar era ancorado na volta da democracia. Aqui, a sigla também atuou neste sentido. Mas isso é passado, passou. Com o fim do período de exceção colheu dividendos, elegeu governador Wilson B. Martins, parlamentares , prefeitos,disputando o espaço com outros partidos.

PODER Com a derrota do ex-governador Pedro Pedrossian e a vitória de Zeca do PT para o Governo, a polarização passou a ser entre peemedebistas e petistas. Anote-se: a semente foi plantada em 1996 nas eleições da capital com a vitória de André Puccinelli (PMDB) contra Zeca por 411 votos de diferença. 

ELEITO e reeleito prefeito de Campo Grande, André firmou-se como a maior liderança anti petista e com esse discurso associado a sua boa gestão chegou ao governo em 2006 derrotando o petista Delcídio do Amaral (senador) com mais de 61% dos votos. Em 2010 André se reelegeu também contra outro petista – Zeca do PT. 

NOVA FASE Após tantos anos de poder o PMDB ficou sem a prefeitura de Campo Grande e o Governo Estadual. Os dois poderes mais influentes ficaram em mãos de um ex-deputado (Marquinhos) que deixou o PMDB por discordar da imposição de André e de ex-aliado tucano (Reinaldo) dissidente por não ter o apoio na disputa da prefeitura em 2012. Restou ao PMDB presidir a Assembleia Legislativa e ficar na base do Governo.

QUE FASE! Como diria o locutor Galvão Bueno: “Pode isso, Arnaldo?” Além das denúncias contra a qualidade das obras (aquário & rodovias) e seus critérios de gastos pelo governador Reinaldo, André foi também atingido pela Lava Jato e acabou preso como alguns cardeais do partido: ex-deputado Eduardo Cunha, ex-ministro Geddel Vieira e o ex-governador Sergio Cabral (RJ). 

QUANTO ao discurso do PMDB, com a paternidade democrática e moralista de Ulysses Guimarães, foi depredado em níveis nacional e estadual. Como defender a boa ética com as práticas duvidosas? O progresso, com obras e benefícios sociais pouco vale sem a lisura. A implosão do Estádio do Maracanã tinha a prioridade igual do aquário da nossa capital. Suspeitíssimas ‘prioridades’ peemedebistas.



QUESTÕES André seduzirá o prefeito Marquinhos (PSD) afinado com o governador Reinaldo? O ex-prefeito Nelsinho (PTB) tem motivos para ficar distante de André. Quais os reflexos da gestão de Michel Temer à época das eleições? Há riscos de desdobramentos do caso que levou André à prisão? Sem o poder de fogo da prefeitura da capital, do governo estadual e das principais cidades a situação é difícil para o PMDB. 



ARREMATE Qual o discurso de André? Como derrotar a bandeira adversária da anticorrupção na campanha? Italiano, aos 70 anos de idade em 2018, André conhece o episódio do Gal. Júlio Cesar que ousou a travessia proibida do rio Rubicão com suas tropas. “Alea jacta est?” Acho que não. O PMDB fadigou junto com André e antes da derrota tentará compor. 

Voltar
Site desenvolvido por: