09/02/2018 - 08:00

O eleitor - fiel apenas de si mesmo

Manoel Afonso
COMPLICADO  Esse um dos termos  adequados, dentre tantos, para definir a postura política do ex-prefeito Alcides Bernal (PP).  E foi por esse corolário de ‘preciosidades’ que perdeu a chance. Como se diz no universo político: passou batido sem nova chance do ‘bilhete premiado’.  Por isso terá dificuldades de um alinhamento nestas eleições.

SOLIDÃO na política é o isolamento por falta de capacidade de conviver também com os adversários ou diferentes.  A política exige desprendimento acima de tudo.  Aqueles que conviveram ou tentaram conviver com Bernal se arrependeram. Colhe o plantio. E não é por acaso que curte a solidão na multidão, a pior delas. Só - até no cafezinho. 

A FRASE “Vamos disputar o governo com um bom plano de governo e uma aliança forte” – dita pelo ex-governador André Puccinelli (MDB) no evento de Costa Rica  é a confissão que seu  projeto eleitoral é dependente. Mas pelos partidos disponíveis na prateleira, exceto o PSDB, não há opções que engordem o cacife do MDB ou de André.

VEJAMOS: O PT tem suas diferenças históricas com  André. O PR tem suas lideranças, alinhadas ao Governo Estadual. O PSD do prefeito Marcos Trad  sem motivos para compor com o MDB e romper a boa parceria  com o Governo. O PP de Bernal é  incógnita.  E o PTB do ex-prefeito Nelsinho Trad com  problemas na justiça é outra interrogação.

EXCLUÍDAS  essas alternativas expostas  não restam outras. O que se vê além, são alguns personagens com direito ao sonho delirante de poder - próprio da democracia. Impossível juntá-los formando um grande exército. Pura utopia porque esses líderes não entusiasmam e não tem a capacidade de manter a unidade do grupo. Esfacelam.

A SUCESSÃO  apresenta esse quadro, sem retoques e sem outros personagens que possam mudá-lo. O escandaloso quadro político com prisões inclusive, alterou o humor do eleitorado de MS.  Após a internet e o celular, acabaram os eleitores capiaus e fieis.  Ricos e pobres, intelectuais e analfabetos pensam iguais. Só muda a forma de expressar.

POSSIBILIDADES  Reverter o quadro atual é possível. Dependerá de fatos nacionais e locais. Ouço teorias diversas. Odilon sustentará a dianteira quando a campanha começar? Reinaldo continuará nesta fase ascendente beneficiado pela boa avaliação de seu governo? Que fato novo positivo recolocará André em posição mais confortável?

FIDELIDADE  Hoje o eleitor é apenas fiel de si mesmo. Tem uma percepção incrível do que ocorre a sua volta. Faz a leitura rápida dos fatos e seus personagens. Indague a um pipoqueiro por exemplo, se reconhece o envolvimento do ex-presidente Lula nos casos do triplex e do Sítio de Atibaia. Mesmo sem entender de Direito, dirá sim!

TEORIA DO FATO  Tenho conversado com juízes, advogados e promotores sobre essa teoria que sinalizou a ‘Lava Jato’ e inovou conceitos. O desembargador Alexandre Barros – último representante indicado pela OAB-MS, não esconde que é partidário  da ‘Teoria do Fato’. Coerente nas alegações, o mais novo dos desembargadores, tem arrancado elogios também pela simplicidade  de postura. Continue assim – mortal.   

NO PASSADO  o eleitor nascia, vivia e morria na UDN ou PSD – os dois grandes partidos que reinaram por décadas. As cidades divididas e as famílias unidas. Hoje, filho não vota no candidato do pai e nem o empregado segue  voto de seu patrão. Cada qual no seu quadrado, com seu próprio olhar. Outros tempos, de críticos!

CRÍTICOS  e corajosos e que não faltam no facebook. É a grande chance de todos  destilarem o lado jornalístico com exageros. Essas redes sociais punem culpados e inocentes antes mesmo do julgamento. Uns vão pelo instituto justiceiro e outros pela oportunidade de manifestar suas mágoas ou compensar as suas frustrações pessoais.

PERGUNTO:  Será que os nossos políticos entenderam esse novo comportamento do eleitor mesmo nas pequenas cidades ( onde 90% dispõe de um celular)? Estarão esses políticos  conscientes de que estão  em contínuo julgamento pela opinião pública? Sabem dos riscos de exposição na mídia virtual no caso de deslizes e escândalos?



CUIDADO!  A  chegada dos experientes delegados Luciano Flores e Luciano Merin para o comando da Polícia Federal em nosso Estado preocupando também muitos  dos nossos políticos. Ambos já atuaram na Lava Jato e portanto tem conhecimento dos esquemas que norteiam a corrupção no poder público. Tudo pode acontecer!



VERGONHA  O mandato  garante o foro privilegiado e as chances  maiores de absolvição. Aí os investigados e processados são candidatos em 2018. Varios casos locais, inclusive o deputado Vander Loubet( PT), Edson Giroto (ex-deputado- PR) e o ex-governador Puccinelli (MDB). Essa absolvição do senador  Jucá (MDB-RO), após 14 anos e com o ministro Gilmar Mendes retendo o processo por  5 anos anima os políticos na  alça de mira da justiça.  

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