13/06/2018 - 08:41

Kim aceita convite de Trump para visitar EUA após cúpula

Agencias Internacionais
G1
PYONGYANG — O líder norte-coreano, Kim Jong-un, aceitou o convite do presidente americano, Donald Trump, para fazer uma visita oficial aos Estados Unidos, segundo a agência de notícias estatal norte-coreana. Além disso, o ditador também convidou o chefe da Casa Branca para uma viagem a Pyongyang e, de acordo com o regime, ele também aceitou o convite. O estabelecimento de laços diplomáticos entre os dois lados vêm após a cúpula histórica de terça-feira (noite de segunda-feira no Brasil), na qual pela primeira vez um presidente americano e um líder norte-coreano se encontraram frente a frente.

Além disso, a agência estatal afirmou que Trump concordara durante o encontro em levantar as sanções contra a Coreia do Norte, mas não citou datas ou prazos para a suposta promessa do presidente americano. Em coletiva ontem, Trump disse que as sanções contra o país permaneceriam enquanto não houvesse avanços em termos de direitos humanos. A Casa Branca não comentou a declaração do regime norte-coreano por enquanto.

Também não há informações sobre uma possível data ou local para novos encontros entre Trump e Kim. O presidente americano não comentou publicamente sobre o convite para uma visita a Pyongyang.

"Kim Jong-un convidou Trump para visitar Pyongyang em um momento oportuno, e Trump convidou Kim Jong-un a viajar aos Estados Unidos", anunciou a Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA). "Os dois líderes aceitaram com muito gosto os respectivos convites, com a convicção de que será outra ocasião importante para melhorar as relações."

Através da KCNA, Kim disse também que a reunião representou um giro radical nas relações entre Washington e Pyongyang. Ele relatou ainda ter classificado de urgente a interrupção de "ações militares hostis e irritantes entre si" durante a reunião com Trump e outras autoridades americanas. Além disso, teria dito no encontro realizado em Cingapura que a Coreia do Norte e os Estados Unidos devem se comprometer a evitar antagonismos e adotar medidas legais e institucionais para garantir isso.

"Kim Jong-un disse que, a fim de alcançar a paz e a estabilidade da Península Coreana e realizar sua desnuclearização, os dois países devem se comprometer a evitar antagonismos, dando lugar ao entendimento mútuo", afirmou a agência.

O relato da agência ainda acrescentou que Trump "entendeu" e prometeu suspender os exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul enquanto as conversas com a Coreia do Norte prosseguissem. De fato, Trump anunciou o fim das manobras após a reunião, que são um importante nó na relação com o regime norte-coreano.

"Me dei muito bem com Kim Jong-un, que quer ver coisas maravilhosas para o seu país. Como eu disse mais cedo hoje: qualquer um pode fazer guerra, mas apenas os mais corajosos podem fazer a paz!", escreveu Trump após o encontro em Cingapura.

SUSPENSÃO DE EXERCÍCIOS É GRANDE CONCESSÃO

Para analistas, a suspensão dos exercícios é uma grande concessão americana, embora Trump tenha afirmado que os Estados Unidos não "cederam nada" por enquanto. Os EUA mantêm tropas na Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, que sedimentou a divisão da península, em 1953. Atualmente, são cerca de 28.500 soldados, e a realização de exercícios conjuntos com as forças sul-coreanas tem sido historicamente acompanhada de protestos norte-coreanos.

Em entrevista coletiva ao fim da primeira cúpula entre um presidente americano e um dirigente norte-coreano, Trump disse que as sanções econômicas contra a Coreia do Norte continuarão em vigor por enquanto. Ao anunciar a suspensão do que chamou de "jogos de guerra", Trump declarou que eles são muito caros e "provocativos". Ele não especificou quando exatamente ocorrerá a suspensão.

O anúncio surpreendeu os sul-coreanos e as próprias tropas americanas na Coreia do Sul. Ao comentá-lo, um porta-voz do governo de Seul disse que "neste momento, o sentido e a intenção das declarações do presidente Trump requerem esclarecimentos". Acrescentou que o país está disposto a "explorar várias medidas para ajudar as conversas a avançar".

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Um porta-voz das forças militares americanas na Coreia do Sul disse não ter recebido nenhuma instrução para cessar as atividades militares conjuntas:

— As Forças dos Estados Unidos na Coreia não receberam nenhuma orientação sobre a execução ou suspensão dos exercícios de treinamento, incluindo o Guardião da Liberdade, marcado para este outono — disse a porta-voz Jennifer Lovett. — Em coordenação com nossos parceiros da República da Coreia, vamos continuar com a atual postura militar, até recebermos instruções atualizadas do Departamento de Defesa e/ou do Comando Indo-Pacífico.

Um funcionário sul-coreano disse, em off, que inicialmente achou que Trump tivesse se enganado:

— Fiquei chocado quando eles chamou os exercícios de "provocativos", uma palavra que dificilmente seria usada por um presidente americano.

PROMESSAS DO COMUNICADO CONJUNTO

No comunicado conjunto assinado com Kim, Trump se comprometeu a dar "garantias de segurança" à Coreia do Norte, enquanto Kim "reafirmou seu compromisso firme e inabalável com a desnuclearização completa da Península Coreana".

— Tivemos um encontro histórico e decidimos deixar o passado para trás — disse Kim na assinatura da declaração conjunta — O mundo verá uma grande mudança.

— Vamos cuidar de um problema muito grande e muito perigoso para o mundo — afirmou Trump.

Não foram dados detalhes sobre o cronograma das negociações abertas pelos dois líderes. Do lado americano, elas serão conduzidas pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. Trump disse na entrevista coletiva que já haverá um novo encontro entre os negociadores na próxima semana.

Na declaração conjunta, Trump e Kim também prometeram "unir esforços para construir um regime de paz duradouro e estável" na Península Coreana, numa referência a um possível acordo de paz para pôr fim formalmente à Guerra da Coreia, que foi encerrada com uma trégua.


 
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