08/02/2019 - 05:22

Barco com 20 pessoas fica encalhado em rio no Pantanal

G1/MS
Morador da região do rio Taquari, no Pantanal de MS, Márcio Roberto Avellar conta que um fenômeno comum na região nos períodos de seca surpreendeu a tripulação de uma embarcação nesta quarta-feira (6): "O acúmulo de vegetação ali é natural mas não nessa época. O rio Taquari, que tem sua nascente na região norte, está assoreado em vários pontos e quando chega aqui, a água é tão pouca e tão cheia de vegetação que não tem como navegar", explica.

Um barco com 20 pessoas, entre elas 5 crianças, ficou preso em uma área de navegação difícil no rio Negrinho, que é o principal acesso para o rio Taquari por 72 horas. Márcio, que foi chamado para socorrer a tripulação do barco que transportava uma balsa com 70 cabeças de gado, gravou um vídeo mostrando a situação do barco. As imagens foram captadas na tarde de quarta (6) e o barco foi retirado nesta quinta (7), pela manhã.

"O gado já está sentindo sede, a embarcação fica numa situação que não passa, tem que fazer uma limpeza urgente aqui".

Marcio menciona que "autoridades deveriam tomar providências". Ele explica que a entidade responsável pela manutenção do rio na região é a Administração Hidroviária do Paraguai (Ahipar), cuja sede fica em Corumbá (MS). Em contato com a Ahipar, as ligações não foram atendidas.

Márcio explica que a grande quantidade de vegetação no rio é algo que os pantaneiros estão acostumados, mas é preciso que haja uma limpeza, para garantir a navegabilidade: "O pessoal desse barco por exemplo, me pediu ajuda porque a travessia foi tão difícil, que eles gastaram todo o combustível da viagem só para tentar sair dali", relata.

De barco grande, a travessia do ponto em que estava a embarcação até Corumbá é de 80km, e leva cerca de 18 horas. De barco pequeno, ela é feita em 3 horas. Com o tempo encalhado, o barco levou 72 horas para fazer o trajeto.

Márcio aponta que o problema do assoreamento no rio Taquari reflete diretamente no Pantanal, que mesmo em período de cheia, em algumas regiões tem pouca água e não é possível navegar: "Em alguns lugares está sem fluxo de água mesmo, o rio já nem desde mais para o Paiaguás e para Nhecolândia", explica. Os dois locais citados por Márcio concentram um grande número de fazendas de gado, que precisam atravessar o rio, alguns de barco, como o que encalhou.

O barco foi retirado da vegetação e seguiu viagem até Corumbá, onde chegou no fim da manhã desta quinta (7).
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