06/07/2018 - 04:40

Corumbá, MS, se transforma na nova rota de entrada ilegal de estrangeiros no Brasil

Por Carla Salentim
G1/MS
Corumbá, no oeste de Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia, está se transformando segundo a polícia, na nova rota de entrada ilegal de estrangeiros no Brasil. Somente este ano, a Delegacia da Polícia Federal no município notificou 230 imigrantes que entraram no país de maneira irregular, a deixarem o território brasileiro. No ano passado foram somente 10 notificações.

Além dos estrangeiros notificados a deixarem o Brasil, outros 1.500 foram multados também este ano por não terem o visto obrigatório para permanecer no país.

Conforme as autoridades de fronteira, esse aumento de estrangeiros no Brasil está relacionado diretamente com os conflitos e catástrofe mundiais. Um exemplo, é o do grande terremoto em 2010, no Haiti. Para fugir da miséria, a população atingida está imigrando. O Chile e a Venezuela eram os destinos mais comuns até pouco tempo, mas com as leis para entrada e permanência de estrangeiros mais rígidas nestes países, muitos estão aumentando o trajeto e vindo até o Brasil.

Em Corumbá, segundo a Pastoral da Mobilidade Humana, da Igreja Católica, já mais de 300 haitianos, que entraram no país pela fronteira com a Bolívia, e que estão recebendo ajuda humanitária. Eles vivem pelas ruas e em abrigos, alguns improvisados. Morando em um destes locais está o haitiano William Guier. “No meu país não há muito trabalho para as pessoas e, é muito frio. Por isso, vim para o Brasil, em busca de melhores condições de vida”, explica.

O aumento deste fluxo imigratório também está levando ao crescimento da atuação dos atravessadores, os chamados “coiotes”, que cobram um valor dos estrangeiros para facilitar sua entrada no Brasil de maneira clandestina.

A haitiana Edna Joana foi presa em Corumbá, sob a acusação de ser uma atravessadora de imigrantes clandestinos. Ela foi detida em flagrante pela polícia, quando tentava embarcar com um grupo em um ônibus para São Paulo.


Presa no estabelecimento penal feminino da cidade ela nega a acusação e diz que veio para o Brasil em busca de emprego, depois de já ter passado pela Venezuela. “Vim em busca de um futuro melhor. No meu país não existe trabalho, não existe comida. Se eu tenho trabalho e quiser quiser comprar um quilo de arroz não posso comprar. Não existe comida, nem remédios, nem atendimento médico. Por isso, vim para o Brasil”, afirmou.

Para o professor de estudos fronteiriços, Marco Machado Oliveira, a situação vivenciada por Corumbá atualmente é um caminho sem volta, por isso, o município e as autoridades de fronteira precisam se preparar da maneira adequada para atender aos imigrantes.

“Das fronteiras terrestres do Brasil, Corumbá hoje está em segundo lugar [no recebimento de imigrantes], e isso, por conta da fronteira do Brasil com a Venezuela. O grande desafio é como acolhê-los. Como criar um rede de acolhimento, atendimento e encaminhamento para que eles possam seguir da maneira mais segura e efetiva possível. Da mesma forma na questão do acolhimento, por exemplo, a quantidade de mulheres grávidas que estão chegando até a cidade, precisamos saber em que condições de saúde estão essas mulheres para que elas sigam viagem. Para isso o Poder público não pode virar as costas”, alertou.
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