18/07/2018 - 04:56

"Mexeram no que há de mais sagrado", lamenta padre de paróquia profanada

Glaucea Vaccari
Correio do Estado
Paróco da Catedral Nossa Senhora da Abadia e Santo Antônio, padre Odair Costa lamentou a profanação do templo católico, que foi invadido por criminosos e teve o sacrário, onde ficam guardadas as hóstias, arrancado da parede, na madrugada desta terça-feira (17), na região central de Campo Grande. Conforme o paróco, para os cristãos católicos, as hóstias consagradas representam o corpo de Cristo, que é o que há de mais sagrado.

“Imagina se um ladrão invadisse sua casa e mexesse nas suas coisas, mas também agredisse sua mãe e você não pudesse fazer nada? Este é o sentimento. É o que há de mais sagrado, o que é intocável. Podiam roubar a igreja inteira, mas mexeram no que há de mais sagrado”, disse o padre ao Correio do Estado.

Segundo o padre, a invasão foi percebida quando ele chegou na catedral, por volta das 7h, e notou que uma das portas estava danificada. Imediatamente, ele adentrou a igreja para saber o que havia sido roubado e encontrou o sacrário da paróquia destruído, com as hóstias e cálices no chão.

Por conta disto, ele fez uma purificação no local e será realizada uma missa de desagravo, ainda sem data marcada, mas a igreja continuará aberta e as missas ocorrerão normalmente.

“Se fosse uma igreja menor, com menos fluxo de gente, deveria fechar e permanecer fechada até restaurar o local, mas devido ao fluxo de pessoas todos os dias na nossa igreja, preciso deixá-la aberta, apenas o local onde fica o sacrário será lacrado e o Santissímo será exposto em uma capela interna”, explicou o padre.

Sobre a missa de desagravo, o sacerdote explicou que a celebração é necessária quando há violação do sagrado, para desfazer algo que é de ofensa.

“Quando a pessoa faz isso [violação do sagrado], as pessoas ficam profundamente tristes e magoadas, e a missa de desagravo visa isso, falar da misericórdia de Deus. Mesmo a pessoa estando errada, pois violou algo sagrado, ela também é sagrada e devemos amá-la e respeitá-la. Condenamos o crime, não a pessoa”, afirmou o padre.

Religiosos e pessoas da comunidade já procuraram o padre e a igreja oferencedo ajuda para a reparação dos bens materias destruídos. A peça do sacrário foi avaliada em aproximadamente R$ 40 mil, mas, segundo o padre, as peças são únicas e será necessário fazer também uma adequação do local para acondicionar a nova. Ele acredita que os criminosos possam ter confundido o sacrário com um cofre, e por este motivo, retiraram da parede e tentaram arrombar, mas deixaram para trás ao perceber que dentro não havia dinheiro.

"Não foi levado nada de bem material, o gravíssimo para nós é esse espaço. Tentaram abrir e como não conseguiu abrir por total, lançou partículas do corpo de Cristo, que a gente considera esse sacrilégio", disse.

Apenas após a restituição dos danos, será feita a missa de desagravo e, durante o período, a igreja ficará em luto.

A Polícia Militar esteve na paróquia durante a manhã e, conforme a tenente Marcela Coca, será planejado a intensificação do policiamento na região, que costuma ter muitos moradores de rua e usuários de droga nos arredores. 

Boletim de ocorrência foi registrado pelo padre na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro como furto qualificado com destruição e rompimento de obstáculo. Investigação ficará a cargo da 1ª Delegacia de Polícia Civil.
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