03/06/2017 - 06:27

Paralisação de obras na BR-163 deixa 'órfãos' pelo interior

Famílias que vieram do Nordeste tentam sobreviver em MS

Jones Mário
Correio do Estado
A história de Rael Sousa da Silva, 23 anos, lembra a de tantos outros retirantes que, na metade do século passado, trocaram a roça do Nordeste pelo asfalto do Sul. No caso do maranhense de Zé Doca, o destino foi São Gabriel do Oeste – distante 133 quilômetros de Campo Grande. Sete meses depois de chegar a Mato Grosso do Sul, ele, a esposa Heleninha e o filho Israel são “órfãos” da suspensão das obras de duplicação da BR-163, onde Rael trabalhava.

Em abril deste ano, a CCR anunciou a paralisação dos serviços na rodovia e propôs um pedido de revisão de contrato à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Entre outras coisas, o compromisso previa que 806 dos 845,2 quilômetros da estrada no Estado fossem duplicados em cinco anos, a contar de 2014. Em três anos, 135 quilômetros receberam pista dupla, ao longo de 10 trechos.

No oeste maranhense, Rael plantava arroz, mandioca e feijão. Seu vizinho em Zé Doca, Saraiva, foi recrutado para as obras da BR-163, em São Gabriel, e fez a ponte para trazer o amigo ao mesmo ofício. “Aqui [na obra da rodovia] eu era ajudante. Mexia com enxada, puxava fio”, contou. 

O salário que o trouxe a Mato Grosso do Sul era de R$ 1.100. A mudança de cidade, após 35 horas em viagem de ônibus, custou R$ 1.400. Rael foi contratado pela FBS Construção Civil e Pavimentação, uma das terceirizadas que prestavam serviço à CCR.

A verba rescisória a receber da FBS daria folga no orçamento e permitiria aos demitidos fazer planos para um futuro próximo. Rael, Saraiva e um grupo de aproximadamente 20 ex-funcionários da empresa, porém, alegam que não ganharam o valor integral a que têm direito. Eles acionaram advogado e pretendem recorrer à Justiça.
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