A Place to Heal — o novo filme de Cédric Kahn chega ao Lido em competição com uma abordagem construída a partir de imersão direta em unidades psiquiátricas adolescentes, transformando observação clínica em personagens coletivos que sustentam um filme ao mesmo tempo duro e luminoso.
- Flash resumo: Kahn passou semanas em um serviço, a coautora Kahina Le Querrec seis meses, e o longa reúne 12 adolescentes e 10 cuidadores no centro da narrativa.
Imersão como matéria-prima e o elenco jovem
Para criar A Place to Heal, a pesquisa de bastidor foi central: Kahina Le Querrec permaneceu seis meses em uma unidade, enquanto Cédric Kahn passou várias semanas observando pacientes, equipes e as rotinas dos serviços. Essas observações deram origem a 12 adolescentes e 10 cuidadores que compõem a estrutura dramática do filme.
No filme, a trama começa quando a jovem Lúcia é levada pela polícia a uma ala que já conhece; lá ela encontra Eloïse, reencontra colegas e convive com Etienne, papel assumido pelo próprio Kahn, até que a chegada do enigmático Enzo altera a dinâmica da unidade.
“Eu não queria que a psiquiatria ou a doença mental fossem associadas a algo demasiado mortal. Queria que o filme fosse muito vital, muito visceral.”
Tonalidade, técnica e alcance social
A Place to Heal alia realismo social a momentos de leveza: apesar de tratar transtornos alimentares, tentativas de suicídio e bullying, o filme evita a piedade e privilegia a capacidade de resiliência dos jovens. A fotografia de Patrick Ghiringhelli foi feita com três câmeras simultâneas, recurso que permite acompanhar vários membros do grupo em cena.
O processo de seleção do elenco juvenil foi extenso: a diretora de elenco testou mais de 1.000 jovens, Kahn viu pessoalmente mais de 100 candidatos e escolheu 12, entre eles nomes com alguma experiência como Malou Khebizi e Patience Munchenbach. Produzido por Ad Vitam Films, com distribuição francesa pela mesma produtora e vendas internacionais por Charades, o longa também marca o 12º filme de Kahn como diretor e sua quarta passagem por Veneza, retornando agora à competição.
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Perguntas Frequentes
Quando e onde 'A Place to Heal' teve sua estreia e em qual seção foi exibido?
A Place to Heal teve sua estreia mundial no Lido, em Veneza, sendo exibido na seção de competição do festival. A apresentação marcou a volta de Cédric Kahn à mostra competitiva, enquanto outro de seus filmes, "Jupiter" de Alexandre Smia, foi exibido fora de competição.
Como Cédric Kahn e a equipe pesquisaram para criar 'A Place to Heal'?
A Place to Heal nasceu de imersões em unidades de psiquiatria adolescente: Kahina Le Querrec passou seis meses em uma das unidades e Cédric Kahn passou várias semanas em outra. Essas observações geraram material para compor 12 pacientes e 10 cuidadores, com histórias combinadas para preservar o anonimato real.
Quem compõe o elenco jovem de 'A Place to Heal' e como foram as escolhas?
A Place to Heal reúne 12 adolescentes escolhidos após um processo que incluiu mais de 1.000 testes; Kahn viu pessoalmente mais de 100 candidatos antes de selecionar o elenco. Entre os escolhidos estão atores com experiência prévia, como Malou Khebizi e Patience Munchenbach.
Qual direção de fotografia e técnica foram empregadas em 'A Place to Heal'?
A Place to Heal foi filmado pelo diretor de fotografia Patrick Ghiringhelli, que utilizou três câmeras simultâneas. Essa escolha técnica permitiu manter diferentes personagens em plano e captar a dinâmica coletiva do grupo de adolescentes ao longo das cenas.
Que recorte social o filme aborda e quem assina a produção e vendas internacionais?
A Place to Heal examina as pressões sobre o sistema público de psiquiatria e celebra a função inclusiva do hospital público. O filme é produzido por Ad Vitam Films, com distribuição na França pela mesma produtora e com as vendas internacionais representadas por Charades.
Rafael Menezes
