Estudantes brasileiros — A repercussão da final da Copa do Mundo virou perseguição virtual: após a Argentina perder por 1 a 0 para a Espanha na decisão, alunos brasileiros em Buenos Aires passaram a receber ameaças de agressão e morte, com contas e endereços expostos em uma trend na X. A reportagem foi publicada às 19h44.
- Flash resumo: exposição de perfis e mensagens com teor racista e ameaças, incluindo envio de foto de arma a uma estudante.
Como a comemoração se transformou em caça virtual
A derrota da Argentina na final desencadeou uma onda de hostilidade nas redes. Perfis de estudantes que comemoraram o resultado foram marcados e divulgados em uma trend na X.
Comentários com emojis de macacos e convocações para "lições" nas ruas ampliaram o clima e transformaram a frustração esportiva em ameaças dirigidas a estrangeiros.
"Eles vêm pra cá estudar de graça e são ingratos"
Casos relatados e respostas institucionais
Estudantes relataram mensagens diretas com linguagem violenta e divulgação de dados pessoais. A paulistana Lays Bressane, de 23 anos, contou ter recebido uma ameaça explicita, seguida de uma foto de arma com legenda.
O pernambucano Fernando Seabra, 31, aluno da Fundação H. Barceló, também teve dados expostos; a faculdade informou punições internas, inclusive a expulsão de dois "ayudantes" após comentários que poderiam ser interpretados como xenófobos.
Do ponto de vista legal, a reportagem lembra que a Argentina tem a Lei 23.592 para regular discriminação, enquanto no Brasil a injúria racial pode se equiparar ao racismo, crime inafiançável com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão e multa.
O que você acha? Você acha que as ameaças justificam medidas de segurança para estudantes brasileiros na Argentina? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu com os estudantes brasileiros depois da final em que a Argentina perdeu por 1 a 0 para a Espanha?
Estudantes brasileiros foram alvo de ameaças de morte e exposição online após a Argentina perder por 1 a 0 para a Espanha na final da Copa do Mundo; uma trend na X expôs perfis, com comentários racistas usando emojis de macaco e convocações a ações nas ruas, segundo a reportagem publicada às 19h44.
O que disse o comentarista da CrónicaTV sobre os estudantes brasileiros e como isso repercutiu?
Estudantes brasileiros foram alvo de comentários na CrónicaTV, onde um comentarista disse "Eles vêm pra cá estudar de graça e são ingratos" ao exibir publicações; o trecho circulou nas redes, ajudou a amplificar a caçada virtual e contribuiu para a divulgação de dados pessoais dos alunos.
Quem são alguns dos estudantes que relataram ameaças e o que foi relatado especificamente?
Estudantes brasileiros como a paulistana Lays Bressane, 23 anos, relataram mensagens como "Quando eu te vir na universidade, pode ter certeza que você vai sofrer. Vou bater na sua cabeça com um martelo" e o envio de uma foto de arma com a legenda "Na Argentina não brincamos"; o estudante Fernando Seabra, 31, também teve dados expostos.
Quais são as implicações legais na Argentina e no Brasil para esse tipo de agressão online?
Estudantes brasileiros ameaçados entram na esfera legal: a Lei 23.592 regula discriminação na Argentina com caráter mais reparador e penas menos severas; no Brasil, a injúria racial pode se equiparar ao racismo, crime inafiançável com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão, além de multa.
Os estudantes brasileiros formalizaram queixa na polícia após as ameaças e houve reação das universidades?
Estudantes brasileiros não formalizaram queixa na polícia, segundo a reportagem publicada às 19h44; em alguns casos, instituições como a Fundação H. Barceló adotaram medidas internas e expulsaram dois "ayudantes" da monitoria por comentários que podiam ser interpretados como xenófobos.
Vinicius Balbino