Bad Lieutenant: Tokyo — a nova interpretação de Miike Takashi para o universo do “Bad Lieutenant” chega ao público pelo Toronto Film Festival propondo uma mudança de eixo: em vez da culpa religiosa tradicional, o filme explora uma reverência e temor pela natureza como estrutura moral, com impacto direto na leitura do protagonista e do próprio papel da polícia.
Uma redenção enraizada na espiritualidade japonesa
Miike desloca a pergunta central da franquia: o que acontece com um homem corrupto quando não há um Deus para salvá-lo? Em vez de retomar a culpa católica de Abel Ferrara (1992) ou a leitura kafkiana de Werner Herzog (2009), Miike adota elementos da espiritualidade japonesa que tratam a natureza como força reverencial e, ao mesmo tempo, instigadora de medo.
O protagonista, o tenente Yabuki interpretado por Oguri Shun, convive com dependência química e dívidas de jogo enquanto persegue um assassinato ligado à Yakuza. A investigação aproxima-o da agente do FBI Gwen Birgssen, personagem de Lily James, cenário que expõe como a imersão no crime corrói estruturas pessoais e institucionais.
“Não é que minhas intenções sejam retratar violência ou pessoas violentas. Eu sou atraído por certos personagens; quero empurrar esses foras-da-lei além dos limites impostos pelo roteiro e pelo público.”
Elenco, liberdade de criação e futuro da franquia
A escolha de Oguri Shun como Yabuki não foi por afinidade com papéis sombrios: o diretor destaca a versatilidade do ator, incluindo mais de uma década dividida entre cinema e teatro. Lily James foi escalada por um mandato do cofinanciador e distribuidor Neon, e sua presença cria um contraponto de calma diante da volatilidade do enredo.
A produção reúne Neon, Jeremy Thomas e Sam Pressman, com a produtora de longa data de Miike, Saka Misako. Sam Pressman caracteriza a propriedade como uma espécie de “anti-franchise franchise”, modelo que dá a cada diretor carta branca para reinterpretar o personagem em contextos distintos — uma liberdade que Miike diz ter sentido em todas as etapas, do roteiro à edição.
Miike também reflete sobre sua trajetória: embora o filme seja internacional em escala, ele se identifica com a energia de sets de baixo orçamento e reconhece que a passagem do tempo mudou seu ritmo de trabalho. O elenco ainda conta com Kunimura Jun, Mamiya Shôtarô, Kouri Yuka, Nakata Hideo, Murakami Jun, Iwata Takanori e a estrela da WWE Liv Morgan, ampliando o alcance comercial e artístico da produção.
O que você acha? Você esperava que “Bad Lieutenant: Tokyo” tratasse a redenção sem referência a Deus? Para acompanhar críticas e bastidores, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Do que trata Bad Lieutenant: Tokyo e quem é o protagonista?
Bad Lieutenant: Tokyo acompanha o tenente Yabuki, interpretado por Oguri Shun, um policial japonês com dependência de drogas e dívidas de jogo que se envolve em uma investigação ligada à Yakuza. A trama também cruza com a agente do FBI Gwen Birgssen, papel de Lily James, e explora a corrupção pessoal e institucional.
Quando e onde Bad Lieutenant: Tokyo teve sua estreia?
Bad Lieutenant: Tokyo teve estreia mundial na programação do Toronto Film Festival, onde foi apresentado ao público pela primeira vez. A exibição em Toronto marca o lançamento internacional do filme antes de sua circulação comercial e dos próximos passos de distribuição.
Quem produziu Bad Lieutenant: Tokyo e quem estão no elenco principal?
Bad Lieutenant: Tokyo foi produzido por Neon, Jeremy Thomas e Sam Pressman, com Saka Misako como produtora habitual de Miike. O elenco principal reúne Oguri Shun e Lily James, e inclui também Kunimura Jun, Mamiya Shôtarô, Kouri Yuka, Nakata Hideo, Murakami Jun, Iwata Takanori e Liv Morgan.
Beatriz Farias