Paulo — A poucos quilômetros da seleção e de estádios lotados, um brasileiro vive em um carro que virou moradia, oficina e abrigo. A reportagem, datada de 18/07/2026, mostra o choque entre o luxo dos ingressos para a final do Mundial e a realidade de quem não tem teto fixo em Nova Jersey.
- Flash resumo: um carro convertido em casa no estacionamento de um supermercado, banho em academia, três anos morando no veículo e ingressos para a final a partir de US$ 4.000.
Do estacionamento à periferia invisível da Copa
O carro de Paulo está estacionado sob um calor que beira os 40 graus em Nova Jersey. Dentro, cama, utensílios de cozinha e roupas organizadas; fora, a Copa atrai olhares e recursos que não chegam a quem vive ali.
A menos de 30 minutos do MetLife Stadium e a pouco mais de 20 minutos de Morristown — onde seleções se hospedam — o contraste é nítido: ingressos para a final entre Argentina e Espanha partem de US$ 4.000, enquanto o salário mínimo médio é de US$ 11,50 por hora.
Há três anos, um mecânico brasileiro chama aquele carro de casa.
Paulo, que chegou aos EUA há cinco anos, diz que o ponto de virada foi um acidente que exigiu três cirurgias na coluna. Desde então, enfrenta disputa judicial com o seguro e limitações físicas que reduziriam qualquer estabilidade financeira.
Ele improvisou uma oficina no próprio estacionamento e atende clientes, majoritariamente imigrantes. Toma banho numa academia próxima e recebe auxílio de uma igreja evangélica local. O carro, sem modelo divulgado, tem hoje valor estimado em cerca de três mil dólares nos EUA.
Perguntas Frequentes
Como Paulo acabou morando em um carro em Nova Jersey?
Paulo virou morador em carro após um acidente que o levou a três cirurgias, conta ele; a situação se arrasta há três anos. Paulo chegou aos EUA há cinco anos, trabalhou como motorista de caminhão nos primeiros dois anos e desde então luta juridicamente com o seguro que, segundo ele, “até hoje não pagou nada”.
Onde Paulo dorme e qual é a rotina no estacionamento próximo a Morristown?
Paulo vive no estacionamento de um supermercado em Nova Jersey, a pouco mais de 20 minutos de Morristown e cerca de 30 minutos do MetLife Stadium. Paulo toma banho diariamente em uma academia local, organiza o interior do carro e trabalha ali mesmo, realizando pequenos consertos para a comunidade imigrante.
Paulo — o que dizem os dados oficiais sobre quem vive em carros nos EUA?
Paulo representa parte de um fenômeno que, segundo o HUD, pode corresponder a 20% a 30% da população de sem-teto; o USICH indica que 40% a 60% dessas pessoas têm trabalho em tempo integral. Paulo exemplifica como renda e custo de moradia não se alinham para muitos.
Paulo — como as autoridades e as cidades locais vêm reagindo a essa realidade?
Paulo vive em um contexto onde, em Nova Jersey, pelo menos nove cidades proibiram dormir em carros; em Toms River a violação pode levar até 90 dias de prisão. Enquanto isso, organizações como o NJCRI, ativa desde 1988, oferecem serviços a quem está em vulnerabilidade.
O que Paulo espera fazer depois dessa experiência em Nova Jersey?
Paulo espera o desfecho dos processos judiciais contra o seguro e pretende voltar ao Brasil se conseguir uma indenização. Paulo sonha em reconstruir a vida na terra natal, reerguer-se profissionalmente e deixar para trás os três anos em que transformou um carro em lar.
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Vinicius Balbino