DAU — Em pleno Festival de Veneza, o filme e seu diretor voltaram ao centro de uma disputa política-cultural que extrapola a programação: a seleção de "DAU" motivou protestos oficiais da Ucrânia e obrigou o cineasta a detalhar passado financeiro e posição sobre o conflito, ao mesmo tempo em que buscava minimizar o impacto das acusações para a mostra e para o público.
Reação pública de Khrzhanovsky e as declarações centrais
Ilya Khrzhanovsky afirmou que sua postura sobre a guerra Rússia‑Ucrânia é clara desde antes da invasão completa de 2022 e disse que tem se manifestado repetidas vezes. A defesa pública do diretor procurou separar o trabalho artístico das acusações de vínculos estatais, ao mesmo tempo em que expressou solidariedade com a Ucrânia.
O embate ganhou contornos institucionais quando o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, o Ministério da Cultura e a embaixada ucraniana na Itália divulgaram uma declaração conjunta criticando a presença do projeto num dos principais palcos culturais do mundo, por considerar possíveis ligações com redes de influência russas.
“A única coisa que posso desejar é paz e sucesso para que o governo ucraniano tenha êxito da melhor maneira possível, salve o país e vença esta guerra.”
Vínculos financeiros, alcance do projeto e críticas anteriores
Khrzhanovsky explicou que o oligarca Sergei Adoniev foi "o primeiro financiador" do projeto, apoiando "DAU" entre 2008 e 2019, e ressaltou que, nos últimos sete anos, o projeto seguiu por caminhos de financiamento diferentes. Essa cronologia financeira foi apresentada como contexto para afastar a ideia de que o filme atual represente um vínculo presente com o Estado russo.
O longa apresentado em Veneza tem 3 horas e 15 minutos e reúne dois decênios de trabalho do chamado projeto "DAU", inspirado na vida do físico Lev Landau (1928–1968). Duas obras derivadas já foram lançadas: "DAU. Degeneration" (2019) e "DAU. Natasha" (2020), o que reforça a natureza amplificada e contínua deste empreendimento artístico.
A inclusão de "DAU" na competição também suscitou a defesa do diretor artístico do festival, que destacou o histórico do cineasta como dissidente e afirmou que críticas públicas fazem parte do debate cultural. Paralelamente, há recordações de controvérsias anteriores: antes da estreia de "DAU. Natasha" em Berlim, surgiram questionamentos sobre condições de trabalho e alegações sobre a filmagem, que foram negadas por Khrzhanovsky e por membros do elenco.
Sobre a atuação do maestro e protagonista Teodor Currentzis, Khrzhanovsky preferiu evitar julgamentos públicos direcionados e disse que busca avaliar suas próprias escolhas; também afirmou que cada pessoa é responsável por suas decisões artísticas e pessoais.
O que você acha? Você considera que "DAU" deveria permanecer na competição apesar das controvérsias? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Qual foi a reação de Ilya Khrzhanovsky às críticas ucranianas sobre "DAU" em Veneza?
Ilya Khrzhanovsky respondeu em Veneza reafirmando que sua posição sobre a guerra vinha sendo expressa desde antes da invasão de 2022 e pediu paz e sucesso ao governo ucraniano. O diretor negou que o filme represente vínculos estatais atuais e buscou contextualizar o financiamento histórico do projeto.
Que vínculos financeiros do projeto "DAU" foram mencionados por Khrzhanovsky?
O projeto "DAU" teve como primeiro financiador o oligarca Sergei Adoniev, que apoiou o trabalho entre 2008 e 2019. Khrzhanovsky afirmou que nos últimos sete anos a produção passou por "uma vida completamente diferente" em termos de financiamento, buscando assim dissociar o lançamento atual de supostas ligações políticas recentes.
O que o filme "DAU" retrata e qual é a duração da nova obra apresentada em Veneza?
O filme "DAU" compila duas décadas do projeto do diretor e retrata a vida do cientista Lev Landau entre 1928 e 1968; a versão em competição tem 3 horas e 15 minutos. Obras anteriores do mesmo projeto incluem "DAU. Degeneration" (2019) e "DAU. Natasha" (2020), já lançadas em mostras internacionais.
Rafael Menezes