Diary of a Mad Old Man — Wayne Wang volta ao cinema em sua primeira direção desde 2019 com uma releitura do romance de Jun'ichirō Tanizaki que transforma a tensão sexual original em um estudo sobre envelhecimento e perda de lucidez. A adaptação traz Fan Bingbing como Satsuko e Lily Franky no papel do aposentado Utsugi, mas o resultado tem sido descrito como ponderado demais e, em alguns trechos, entediante.
Da perversão literária à pista de demência
O roteiro de Kelvin Wyles segue os contornos do romance, mas muda o tom do narrador e adiciona subtramas inéditas, como um enredo em que Utsugi coleciona retalhos de papel trazidos por um corvo que ele cuidou. Essa nova camada converte parte da dinâmica perversa do texto em sinais possíveis de demência, deslocando o foco do caráter narcisista do original para uma leitura mais empática e clínica.
Logo nas primeiras cenas, Utsugi é mostrado em um momento de masturbação, e a obsessão pelo corpo de Satsuko reaparece em gestos como a busca por contato nos pés e o voyeurismo. A relação com os filhos—incluindo a retenção de dinheiro enquanto presenteia Satsuko com joias—mantém a estrutura básica do conflito, mas a suavização do protagonista altera o impacto moral do enredo.
"Mesmo que eu seja sentimental e dado às lágrimas — por mais virtuoso que isso possa soar — minha verdadeira natureza é perversa e extremamente fria."
Produção, elenco e o efeito final
Wang demonstra olho para a produção: os cenários interiores (uma casa, um jardim e um bar sofisticado) têm detalhes que situam a ação no distrito de Ginza, em Tóquio, e a direção de fotografia e montagem elevam o acabamento. Lily Franky encarna um Utsugi convincente como um homem parcialmente paralisado; Fan Bingbing amplia Satsuko, dando-lhe um passado traumático que transforma a personagem originalmente mais exploradora em figura mais complexa.
Apesar do elenco e das intenções, críticos notam que as adições narrativas não necessariamente enriquecem o espírito cáustico do romance de Tanizaki. O filme é comparado a obras recentes que discutem desejos sexuais em idades avançadas e demência, como Teki Cometh, Familiar Touch e Queen at Sea, mas o balanço final pende para um tom contemplativo que alguns consideram pouco agressivo para a natureza do texto original. Direção: Wayne Wang; roteiro: Kelvin Wyles; baseado em Jun'ichirō Tanizaki; com Lily Franky, Fan Bingbing, Yûki Kudô, Takumi Saitō e Asana Mamoru. Revisado online em 3 de setembro de 2026; exibido no Festival de Toronto (Gala Presentations); duração: 119 MIN.
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Perguntas Frequentes
Qual é a abordagem de Wayne Wang em Diary of a Mad Old Man em relação ao romance de Jun'ichirō Tanizaki?
Diary of a Mad Old Man adota uma releitura que desloca o foco da perversão explícita do romance para uma leitura marcada por sinais de demência. O roteiro de Kelvin Wyles introduz subtramas inéditas, como o corvo e os retalhos de papel, e suaviza o narrador, mudando a moralidade explícita do livro para um tom mais contemplativo.
Quando e onde Diary of a Mad Old Man foi exibido e qual é a duração do filme?
Diary of a Mad Old Man foi exibido na seção Gala Presentations do Festival de Toronto e recebeu revisão online em 3 de setembro de 2026. A duração oficial do filme é de 119 MIN, e a apresentação em festivais precede exibições mais amplas previstas para circuitos e possíveis vendas internacionais.
Quem compõe o elenco de Diary of a Mad Old Man e qual o papel de Fan Bingbing?
Diary of a Mad Old Man tem no elenco Lily Franky como Utsugi e Fan Bingbing como Satsuko, além de Yûki Kudô, Takumi Saitō e Asana Mamoru. Fan Bingbing interpreta a jovem nora em torno da qual gravita o desejo do protagonista; o filme mistura diálogos em japonês e mandarim e explora tensões interpessoais entre personagens de origens distintas.
Leticia Rodrigues