Eloína dos Leopardos — a entrega da coroa a Anitta na quadra da Grande Rio voltou os holofotes para uma trajetória que conecta o Carnaval de ontem ao presente. Mais que um gesto simbólico, a presença de Eloína reforça o papel pioneiro da artista na história das rainhas de bateria e na visibilidade trans no samba.
Coroação com carga histórica
A coroação de Anitta, realizada na quadra da Grande Rio no domingo (20/9), teve Eloína como responsável por colocar a coroa na cantora — um ato que repercute por ligar duas gerações do samba. Aos olhos do público, foi também um reconhecimento público da carreira que Eloína construiu desde os anos 1970.
Ao entregar a coroa, Eloína retomou o papel que já marcara em 1976, quando caminhou à frente dos ritmistas em desfiles que precederam o formato atual de rainha de bateria.
Eloína é considerada a primeira rainha de bateria da folia carioca e a primeira rainha transgênero da história do Carnaval.
Da periferia ao exterior: a carreira em marcos
Nascida no Rio de Janeiro em 1945, Eloína de Souza começou nos bastidores do teatro como camareira de vedetes e logo migrou para os palcos, atuando em espetáculos da região central. Em 1969, durante o período da ditadura, mudou-se para Paris, onde prosseguiu a carreira artística antes de alternar temporadas entre Europa e Brasil.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →No Carnaval, a virada ocorreu em 1976, quando o carnavalesco Joãosinho Trinta colocou-a à frente da bateria da Beija-Flor de Nilópolis no enredo "Sonhar com Rei Dá Leão". A Beija-Flor conquistou o título naquele ano e, entre 1976 e 1978, viveu o primeiro tricampeonato da escola, período em que Eloína permaneceu ligada à agremiação.
Nos anos 1980, Eloína assinou a Noite dos Leopardos, espetáculo marcado pela sensualidade e pela nudez masculina que ficou em cartaz por cerca de uma década, ampliando sua presença artística no Rio. Também integrou o elenco do espetáculo Divinas Divas, que reuniu nomes da primeira geração de artistas travestis do país.
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Perguntas Frequentes
Quem é Eloína dos Leopardos e por que ela é lembrada no Carnaval?
Eloína dos Leopardos é uma artista travesti nascida no Rio de Janeiro em 1945, reconhecida como a primeira rainha de bateria da folia carioca. Ela desfilou à frente da bateria da Beija-Flor em 1976, participou do tricampeonato da escola entre 1976 e 1978 e consolidou carreira também como atriz e coreógrafa.
Quando Eloína entregou a coroa a Anitta e qual o significado do gesto?
A entrega da coroa a Anitta ocorreu na quadra da Grande Rio no domingo (20/9). O gesto simboliza a conexão entre gerações do samba: Eloína, pioneira na posição de rainha, reforça a continuidade cultural e a visibilidade trans no Carnaval ao confirmar laços entre passado e presente.
Quais foram os principais projetos artísticos de Eloína além do Carnaval?
Eloína dos Leopardos criou a Noite dos Leopardos nos anos 1980, espetáculo que permaneceu em cartaz por cerca de uma década e marcou a cena carioca com apresentações sensuais. Além disso, ela atuou em teatro, integrou o filme/espetáculo Divinas Divas e morou em Paris a partir de 1969, mantendo carreira internacional.
Marcos Antonio