Festival de Veneza — A edição deste ano chega ao Lido com uma seleção que promete provocar debates: além de filmes sobre Rússia, Israel e imigração, a programação traz um longa inteiro feito por inteligência artificial, numa escolha que amplia a tensão entre arte e política.
- Flash resumo: A seleção anunciada em 23 de julho foi classificada como “a mais política” em anos e inclui “Be Brave” (90 minutos, feito com IA) e o documentário de quatro horas “Musk”.
Programação que acende disputas: guerra, exílio e narrativas controversas
A lista de filmes para Veneza reúne títulos que abordam guerras e migrações — entre eles “A Bit of Light”, drama iraniano, e “Citizen Osama”, do palestino Ahmed Hassouna, que foca um fotógrafo em Gaza. A presença de obras assim coloca o festival no epicentro de debates já vividos em Berlim e Cannes.
Quando a programação foi anunciada em 23 de julho, o diretor artístico descreveu o conjunto como reflexo de temas contemporâneos: guerras, Palestina, imigração, clima e o encolhimento de espaços de liberdade. Entre os títulos que prometem gerar reação está “My Undesirable Friends: Part II — Exile”, sobre jornalistas russos no exílio.
“Se tivéssemos recebido uma boa submissão da Rússia, o único critério que aplicaríamos seria a qualidade do filme.”
IA, patrocínio e o impacto financeiro-político
Veneza também enfrenta pressão institucional: a Biennale teve US$ 2,3 milhões retirados pela Comissão Europeia após críticas sobre a presença de pavilhões da Rússia e de Israel na mostra de arte, uma disputa que se arrasta até o ambiente do cinema no Lido.
Além disso, a inclusão de “Be Brave”, um filme de 90 minutos dirigido por Francesco Carrozzini sobre Renzo Rosso e produzido com inteligência artificial, marca um ponto inédito entre os grandes festivais. Outra atração de destaque é “Musk”, documentário de Alex Gibney com cerca de quatro horas e descrito por distribuidores como repleto de revelações.
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Perguntas Frequentes
O que torna a seleção do Festival de Veneza considerada tão política?
O Festival de Veneza reúne neste ano filmes que tratam diretamente de conflitos e tensões globais: a seleção anunciada em 23 de julho inclui obras sobre Rússia, Palestina e imigração, além de documentários explosivos como “Musk”, de Alex Gibney, e dramas iranianos como “A Bit of Light”.
Que filmes polémicos estão na programação do Festival de Veneza?
No Festival de Veneza, a programação traz títulos citados como controversos: “Musk” (documentário de cerca de quatro horas), “A Bit of Light” (drama iraniano), “Citizen Osama” (do palestino Ahmed Hassouna) e “My Undesirable Friends: Part II — Exile”, que acompanha jornalistas russos no exílio em cerca de 13 países.
Qual é o papel do filme feito por IA na seleção do Festival de Veneza?
O filme produzido com inteligência artificial incluído no Festival de Veneza é “Be Brave”, um retrato de 90 minutos sobre Renzo Rosso dirigido por Francesco Carrozzini; sua presença representa a primeira vez entre os grandes festivais que um longa íntegro com IA integra a seleção competitiva.
Como a disputa política afetou o financiamento ligado à Biennale que organiza o Festival de Veneza?
A Biennale, que organiza o Festival de Veneza, sofreu um corte de financiamento de US$ 2,3 milhões por parte da Comissão Europeia, medida motivada por preocupações de que fundos públicos europeus devam proteger “valores democráticos” diante da participação da Rússia em pavilhões da mostra de arte.
Que reações de profissionais do cinema têm surgido sobre Veneza após Berlim e Cannes?
Reações variaram: enquanto alguns artistas e cineastas vêem a seleção de Veneza como um espaço legítimo para abordar temas atuais, outros temem que o discurso político ofusque os filmes. Figuras e plateias já demonstraram desaprovação pública em eventos anteriores, como as vaias a logotipos de distribuidores em Cannes.
Thiago Nogueira
