Isomura Hayato — o ator que transita entre grandes franquias e dramas sociais tomou uma decisão profissional que virou marco: aceitou um papel controverso em The Moon e acabou levando o Japan Academy Film Prize de melhor ator coadjuvante, posição que o colocou no centro de discussões sobre responsabilidade artística e representatividade.
O papel que quase não aconteceu e o peso do prêmio
Isomura enfrentou resistência de pessoas próximas quando considerou interpretar um personagem baseado em um incidente real ocorrido em uma instituição para pessoas com deficiência. Mesmo assim, decidiu seguir adiante e foi premiado pela sua interpretação.
Para o ator, recusar teria sido uma forma de escapar de uma temática que exigia confrontar dignidade e existência. Essa escolha consolidou sua imagem como intérprete disposto a trabalhar material sensível, abrindo espaço para debates sobre ética e representação no cinema japonês.
“Se eu não tivesse aceitado esse papel, pensei que provavelmente estaria de certa forma fugindo do tema ou desse assunto. Não queria negar a dignidade ou o sentido da existência que foram retratados neste filme. Por isso quis encarar esse desafio, e foi por isso que aceitei o papel em ‘Moon’.”
Do júri em Tóquio às demandas por apoio ao setor
Além do trabalho em telas, Isomura integrou o júri do Ethical Film Award no Tokyo International Film Festival, que ocorreu com um colegiado formado por ele e três estudantes. O prêmio acabou indo para I Rarely Wake Up Dreaming, de Isabelle Stever, filme que mistura questões de gênero com o pano de fundo da guerra na Ucrânia.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Isomura destacou que o olhar dos jovens jurados diferiu do seu ao ponderar se cada filme deixaria o público com sensação de esperança. Ele também defende que o cinema japonês precisa de mais fundos e de interesse governamental, citando a mudança de ambiente em países como a Coreia do Sul como exemplo de impacto político sobre a produção cultural.
Isomura equilibra produções de grande alcance e projetos autorais — do sucesso internacional de Netflix como Alice in Borderland a dramas independentes como Plan 75 — e diz que esse mix é importante para manter espaço para vozes críticas e humor negro no cinema do Japão.
Ele está atualmente nas salas com Mentor, dirigido por Yoshida Keisuke e lançado em 16 de outubro, e prepara outro título ainda não divulgado que deverá ser exibido fora do país. Paralelamente, produz o Shizuoka Film Festival em sua prefeitura natal, iniciativa que pretende manter anualmente para fomentar o hábito de ir ao cinema.
Foto: Divulgação
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Perguntas Frequentes
Por que Isomura Hayato aceitou o papel em The Moon mesmo com críticas e avisos?
Isomura Hayato aceitou o papel em The Moon porque preferiu encarar o tema a evitar a discussão; a interpretação rendeu a ele o Japan Academy Film Prize de melhor ator coadjuvante. A decisão foi motivada tanto pelo desejo de representar dignidade quanto pela busca de um desafio artístico que trouxesse novas perspectivas.
Em que evento Isomura Hayato atuou como jurado e qual produção venceu o prêmio Ético?
Isomura Hayato integrou o júri do Ethical Film Award no Tokyo International Film Festival, cujo painel incluiu três estudantes, e o prêmio foi concedido ao drama I Rarely Wake Up Dreaming, da diretora alemã Isabelle Stever; o festival teve programação até 4 de novembro e a disputa final também incluiu o animado brasileiro Amadeo.
Quais projetos Isomura Hayato tem em exibição e que mudança ele defende para o cinema japonês?
Isomura Hayato está em Mentor, lançado em 16 de outubro, organiza o Shizuoka Film Festival em sua prefeitura e prepara um filme ainda não anunciado para lançamento internacional; ele defende mais financiamento e apoio governamental ao setor, citando a Coreia do Sul como exemplo de alteração de cenário político-cultural.
Marcos Antonio