Le Faux Soir — a estreia mundial do filme em Toronto não é só um troféu de festival: virou símbolo de um ano excepcional para o cinema wallon e realçou uma estratégia de produção que mistura autonomia regional, cooperações inter‑regionais e ambição internacional.
Toronto como vitrine e o papel do filme
A presença de Le Faux Soir no Festival de Toronto colocou Wallonia numa posição de destaque, com o filme anunciando também sua exibição de gala de encerramento em San Sebastián. A escolha reforça a visibilidade internacional de obras majoritariamente wallonas e a capacidade do setor de chegar a programações de prestígio.
O longa, assinado por Michaël R. Roskam, retoma um episódio real da resistência belga de 1943 e chega numa conjuntura em que obras locais circulam com mais frequência fora da Bélgica, muitas vezes em co‑produções com a Flandres.
“Há algo profundamente belga nessa combinação de coragem, reserva, pacifismo e humor: a capacidade de resistir sem perder um certo sentido de ironia ou autoconsciência.” — Michaël R. Roskam
O ecossistema wallon e os sinais de sustentação
O ano é marcado também pelo 40º aniversário da Wallonie‑Bruxelles Images, agência que atua na promoção internacional da produção audiovisual francófona da Bélgica. A trajetória recente inclui co‑produções citadas como “A Man of His Time” e “Forever Your Maternal Animal”, sinais de que produtores wallons ampliaram sua presença transnacional.
Além de Le Faux Soir, Toronto recebeu títulos como Lukas Dhont’s “Coward” (maioria flamenga) e vários curtas‑metragens world premiere, evidenciando a diversidade de vozes vindas de diferentes regiões e origens. O apoio institucional e mecanismos como o estatuto social de artista também foram apontados como fatores que alimentam essa criatividade — ainda que estejam sob pressão política.
O que você acha? Você acredita que Le Faux Soir ajudará a consolidar o protagonismo do cinema wallon nos próximos festivais? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Quando e onde Le Faux Soir foi exibido e para onde o filme segue após Toronto?
Le Faux Soir teve sua première mundial no Festival de Toronto e seguirá para San Sebastián, onde foi programado como gala de encerramento. Dirigido por Michaël R. Roskam, o filme sobre a edição falsa do jornal Le Soir durante a ocupação alemã de 1943 chega a esses festivais como representante do cinema wallon.
O que o caso de Le Faux Soir revela sobre o cinema wallon hoje?
Le Faux Soir exemplifica o cinema wallon ao reunir produção majoritariamente wallona, colaborações com a Flandres e uma aposta em vozes originais. Em 2026 o setor comemora os 40 anos da Wallonie‑Bruxelles Images e registra aumento de co‑produções internacionais, além de depender de mecanismos de apoio social ao artista que ampliam experimentação.
Quais outros títulos belgas ou wallons chamaram atenção nos festivais com Le Faux Soir?
Além de Le Faux Soir, Toronto destacou Lukas Dhont’s “Coward” (maioria flamenga) e world premieres como o curta “2:Love” e “The Day I Smoked a Cigarette With My Father”. Produtores wallons também aparecem em co‑produções nomeadas no texto, como “A Man of His Time” e “Forever Your Maternal Animal”.
Gloria Maria