London — A estreia em Critics’ Week de Veneza coloca no centro do debate um drama queer que mistura BDSM e uma provocação direta às representações de deficiência no cinema. A primeiríssima exibição promete gerar discussão sobre identidade, diagnóstico médico e quem tem voz nas telas.
- Flash resumo: Londres (personagem) é um jovem com deficiência que atua como dominador num espaço fetichista e precisa decidir se aceita um novo exame de imagem que pode rotular sua condição.
Première em Veneza e uma trama que problematiza o rótulo médico
London chega ao Festival de Veneza na seção Critics’ Week como primeiro longa dos diretores Victor Di Marco e Márcio Picoli. A narrativa acompanha o personagem-título, que vive como dominador numa casa de fetiche e se vê diante da oferta de um exame de imagem capaz de dar um diagnóstico clínico para sua condição.
O conflito central é prático e simbólico: London deseja respostas, mas teme que um laudo reduza sua identidade a um diagnóstico. A escolha do protagonista transforma o exame em motor dramático e em crítica às práticas que patologizam corpos diversos.
"Corpos com deficiência são os corpos do futuro." — Victor Di Marco
Financiamento, percurso do projeto e recepção crítica inicial
O projeto teve dificuldade para atrair coproduções internacionais e só avançou graças a fundos estatais, segundo os realizadores. A produção reúne Proa & Popa Produções em coprodução com Balde de Tinta Produções, e as vendas internacionais ficam a cargo da The Open Reel.
Antes da estreia, o filme já foi comparado ao cinema de David Cronenberg, comparação que a dupla assume como honra e contraponto: enquanto a referência remete a corpos transformados, os diretores dizem buscar uma linguagem que mostre a inteligência e a presença do corpo com deficiência no presente.
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Perguntas Frequentes
Quando e onde "London" terá sua première?
"London" terá sua première mundial na seção Critics’ Week do Festival de Veneza. A presença no festival marca o primeiro passe do longa-metragem dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli, posicionando o título em um circuito internacional de mostras que costuma destacar filmes de estreia e trajetórias autorais.
Qual é a premissa central do filme "London"?
"London" acompanha um jovem com deficiência que trabalha como dominador em uma casa de fetiche e enfrenta o dilema de se submeter a um novo exame de imagem que pode oferecer um diagnóstico. A trama explora como a busca por respostas colide com o medo de ser reduzido a um laudo clínico.
Quem assina a direção e a produção de "London"?
Victor Di Marco e Márcio Picoli dirigem "London", seu primeiro longa. A produção é de Proa & Popa Produções, em coprodução com Balde de Tinta Produções, e as vendas internacionais são conduzidas pela The Open Reel, apoio crucial para a circulação do filme fora do país.
Como o filme aborda representações de deficiência?
"London" propõe ver a deficiência como forma de existência e inteligência corporal, posicionamento que guia a construção do personagem-título. O longa se propõe a desafiar narrativas que infantilizam ou tratam a deficiência como algo a ser corrigido, discurso presente ao longo de todo o roteiro.
Quais dificuldades a equipe enfrentou para viabilizar o projeto?
O desenvolvimento de "London" enfrentou resistência de produtoras que consideraram o projeto arriscado; a dupla não conseguiu coproduções internacionais e avançou com recursos estatais. Esse percurso evidencia barreiras estruturais na indústria para obras que saem de fórmulas consolidadas.
Beatriz Farias
