Lumière Summit — o painel sobre representatividade levantou uma crítica dura: avanços numéricos existem, mas são insuficientes e exigem instrumentos vinculantes para mudar orçamentos, contratação e formação no setor cinematográfico.
Avanço tímido e pedido por prestação de contas
O painel abriu com dados históricos: a participação feminina em cargos-chave atrás das câmeras subiu de 17% em 1998 para 23% no último ano — um ganho de apenas seis pontos em quase três décadas.
Executivos de estúdios, diretores de festivais e autoridades do setor pediram mecanismos que tornem essa mudança sustentável, argumentando que a falta de mulheres é tanto perda criativa quanto falha de política industrial.
"A indústria do cinema não deveria considerar isso como uma limitação ou uma concessão; deveria ser um investimento no próprio futuro do cinema." — Anna Marsh, citada no painel.
Medidas concretas já na mesa
Entre as ações discutidas está a exigência, pela CNC, de vincular financiamento a metas de gênero: a partir de 2027, produções com menos de 40% de mulheres em equipe técnica e de produção poderão sofrer penalidades, enquanto as que alcançarem a meta recebem bônus.
Também foram mencionadas iniciativas privadas e de festivais: Canal+ ampliou seu orçamento de desenvolvimento em €1 milhão ao longo de três anos para projetos de roteiristas e diretoras mulheres; festivais como Berlinale e TIFF reportaram aumentos no percentual de filmes dirigidos por mulheres em suas seleções.
O que você acha? Você concorda com a proposta de vincular financiamento público a metas de gênero na indústria do cinema? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Que medidas foram defendidas no Lumière Summit para reduzir a desigualdade de gênero no cinema?
O Lumière Summit enfatizou que são necessárias medidas estruturais: líderes mencionaram metas vinculantes para contratação, bônus e penalidades financeiras e maior transparência em festivais e estúdios. O painel citou dados comparativos — 17% em 1998 contra 23% no último ano — como argumento para políticas públicas e privadas.
O que a CNC vai fazer a partir de 2027 em relação à presença feminina nas produções?
A CNC adotou um mecanismo de bônus-penalidade que entra em vigor em 2027: produções com menos de 40% de mulheres na equipe enfrentarão penalidades, enquanto aquelas que alcançarem ou superarem 40% receberão um bônus. A mudança foi apresentada como parte de um pacote para condicionar financiamento a metas de inclusão.
Quais iniciativas práticas foram citadas como exemplo no debate do Lumière Summit?
O Lumière Summit trouxe exemplos concretos: Canal+ destinou €1 milhão a projetos de mulheres em desenvolvimento; a Mousso Institute formou duas turmas (12 mulheres) em técnicos de set; e o TIFF manteve equipe de programação com cerca de 50% de mulheres, com 35% de títulos dirigidos por mulheres em sua seleção mais recente.
Vinicius Balbino