Maggie Gyllenhaal — a cineasta levou ao Lido a experiência de usar inteligência artificial para transformar Dakota Johnson em Marilyn Monroe no curta Flesh Impact, mas optou por descartar o material final. A decisão acende um alerta sobre autenticidade artística, impacto na carreira de talentos e custos ambientais e financeiros da tecnologia.
- Flash resumo: Experimento com IA usando filmes licenciados de Marilyn Monroe foi testado e descartado porque tirou a "humanidade" da performance de Dakota Johnson.
Por que a versão em IA foi abandonada
O curta Flesh Impact conta a história de uma Marilyn Monroe centenária com flashbacks para a versão dos seus 30 anos, interpretada por Dakota Johnson. A equipe treinou modelos com filmes de Monroe licenciados e aplicou o rosto clássico sobre a atuação de Johnson.
Os idealizadores do projeto solicitaram o uso de IA; mesmo assim, a diretora optou por manter a atuação sem a sobreposição. Essa escolha abriu um debate sobre o que a tecnologia pode tirar da presença física e emocional do ator diante da câmera.
"Eu acabei jogando fora, porque o que vinha através de Dakota interpretando Marilyn Monroe era muito mais comovente, humano, vivo."
Riscos práticos e as discussões que vieram à tona
A experiência também fez a cineasta destacar preocupações além do estético: impacto ambiental ligado a grandes centros de dados, a concentração de propriedade das ferramentas de IA e as consequências econômicas para produções tradicionais.
Na fala sobre custos, foi citado que um filme de US$40 milhões poderia, em tese, ser feito por US$4 milhões — ou até US$40 mil — com IA, o que coloca em risco o financiamento de projetos feitos "do jeito antigo" e reduz oportunidades para quem depende de orçamentos maiores.
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Perguntas Frequentes
O que exatamente Maggie Gyllenhaal tentou fazer com IA em Flesh Impact?
Maggie Gyllenhaal tentou usar IA para colocar o rosto de Marilyn Monroe sobre a atuação de Dakota Johnson em Flesh Impact; o modelo foi treinado a partir de filmes licenciados de Monroe. A técnica foi aplicada ao material exibido no Lido, mas a diretora rejeitou o resultado por reduzir a expressividade do desempenho.
Por que Maggie Gyllenhaal considerou que a IA "não funcionou" na peça com Dakota Johnson?
A avaliação de Maggie Gyllenhaal apontou que a versão em IA apagou a humanidade presente na interpretação de Dakota Johnson; por isso o material foi descartado. Em resumo, a sobreposição técnica prejudicou a emoção transmitida pela atriz, anulando o objetivo dramático do curta.
Quais outras preocupações Maggie Gyllenhaal levantou sobre o uso de IA no cinema?
Maggie Gyllenhaal destacou impactos ambientais ligados a data centers, mencionou conversas em locais como South Memphis e criticou a concentração econômica das plataformas de IA. A diretora também questionou quem lucraria com a "democratização" prometida pelas empresas por trás das ferramentas.
Como Flesh Impact explora Marilyn Monroe dentro da narrativa do curta?
Flesh Impact propõe mostrar uma Marilyn Monroe centenária com flashbacks para a Marilyn dos 30 anos, papel interpretado por Dakota Johnson. A proposta narrativa exige transições de tempo e de identidade que foram testadas com a técnica de sobreposição facial antes da decisão de manter a performance sem IA.
O uso crescente de IA ameaça os modelos de financiamento de filmes, segundo a discussão em Veneza?
A discussão trouxe à tona que Maggie Gyllenhaal ouviu previsões de que produções de US$40 milhões poderiam custar US$4 milhões ou até US$40 mil com IA, o que poderia desincentivar investimentos maiores. Esse deslocamento de custos aponta risco real ao financiamento e às vagas de trabalho na indústria.
Rafael Menezes
