Motos quatro cilindros — a arquitetura que já foi sinônimo de performance perdeu protagonismo nos lançamentos recentes, em boa parte por decisões de engenharia e pelo impacto financeiro das homologações. A mudança afeta desde médias de alta circulação até segmentos esportivos, com consequências diretas para oferta, preço e imagem do produto ao consumidor.
Escolha técnica e econômica por trás da mudança
A engenharia moderna define a configuração do motor a partir da proposta do modelo: entrega de torque, regime de uso e custo. Motores quatro cilindros trabalham em rotações mais altas e costumam entregar menos torque em baixa, característica útil em pista, mas pouco eficiente em uso urbano ou off-road.
Na prática, muitos projetos médios chegam à mesma performance com dois cilindros bem dimensionados, reduzindo complexidade e custo de produção. Exemplos recentes dessa tendência são a Honda CB750 Hornet, a Suzuki GSX-8S e a Yamaha R7, que adotaram soluções bicilíndricas em lugar de arquiteturas antigas de quatro cilindros.
“Por que eu vou botar quatro cilindros em um motor 500 se com dois cilindros bem dimensionados, bem projetados, eu entrego a mesma performance?” — Bismark do Vale, engenheiro especialista em desenvolvimento.
Normas, exceções e modelos que ainda apostam no quatro
O Euro 5+, em vigor desde 2024 para novas homologações, apertou o diagnóstico de bordo, a durabilidade de componentes e o monitoramento do catalisador, elevando custos de desenvolvimento. Isso elevou a conta para marcas que precisavam readequar motores antigos.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Ainda assim, não há proibição técnica ao quatro cilindros: a Kawasaki ZX-4R e a QJMotor SRK450RR são exemplos de quatro cilindros compatíveis com Euro 5+. No Brasil, a nova Honda CB1000 Hornet manteve quatro cilindros, com 147 cv de potência, e adotou um escapamento de grandes dimensões como solução para atender ao Promot 5 sem sacrificar o desempenho.
Em resumo, a decisão passa por trade-offs: mercado, margem, objetivo do modelo e disposição da marca em bancar investimentos de homologação. Em médias de grande volume, o raciocínio tende a favorecer arquiteturas menos caras; em superesportivas e grandes naked, o quatro ainda se justifica quando o desempenho exige.
Foto: Divulgação
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Perguntas Frequentes
Por que as motos quatro cilindros estão sendo substituídas por modelos bicilíndricos?
Motos quatro cilindros perdem espaço porque a engenharia prioriza o conceito do modelo e o custo de desenvolvimento; dois cilindros entregam torque mais adequado em baixa e reduzem custo de produção. Exemplos citados incluem Honda CB750 Hornet, Suzuki GSX-8S e Yamaha R7, que adotaram soluções bicilíndricas em lançamentos recentes.
O Euro 5+ é o motivo que impede o uso de quatro cilindros nas motos?
O Euro 5+, em vigor desde 2024 para novas homologações, apertou requisitos de diagnóstico e monitoramento do catalisador, elevando custos, mas não impede o quatro cilindros. Modelos como Kawasaki ZX-4R e QJMotor SRK450RR já passaram na homologação Euro 5+, quando a marca decide bancar o investimento.
Quais motos ainda usam quatro cilindros e qual é o impacto no desempenho?
A Honda CB1000 Hornet é exemplo atual de quatro cilindros, oferecendo 147 cv e soluções de escape para cumprir o Promot 5; a arquitetura mantém resposta e afinação típicas de alta rotação, indispensáveis em modelos voltados para pista e performance, mesmo com custo de conformidade mais alto.
Rafael Menezes