Netflix, Amazon e YouTube — as três plataformas montaram uma coalizão para entrar com força nas discussões de Washington sobre como esportes ao vivo serão distribuídos e regulados nos Estados Unidos. A iniciativa busca preservar modelos de investimento e formas de acesso que se expandiram nos últimos anos, em meio a propostas legislativas que miram reduzir custos e limites geográficos nas transmissões.
Nova coalizão mira regras que afetam quem assiste
A Streaming Access and Choice Alliance (SACA) foi anunciada no dia 14 e terá a TechNet como organização coordenadora. A proposta oficial da coalizão é pleitear tratamento equivalente entre tecnologias de distribuição, para que serviços de streaming continuem investindo em programação, inclusive esportes ao vivo.
No próprio posicionamento público da SACA, a entidade destaca que recursos do streaming — como múltiplas câmeras, estatísticas em tempo real, reprises sob demanda e transmissões paralelas com criadores — ampliaram as formas de acompanhar competições. Como argumento quantitativo, a coalizão aponta que a oferta de conteúdo esportivo entre os principais serviços de streaming por assinatura cresceu 52% desde janeiro de 2024.
“Os americanos querem mais opções de conteúdo e flexibilidade sobre como e onde assistir aos seus programas favoritos, incluindo esportes e outros eventos ao vivo.”
Pressão legislativa e o risco de novas regras
O movimento das plataformas chega num momento em que o Congresso debate medidas que podem reduzir preços e eliminar bloqueios regionais. Em abril, a senadora Tammy Baldwin apresentou o For the Fans Act, projeto que prevê obrigar ligas a oferecer uma opção única e gratuita para torcedores locais assistirem aos jogos das equipes de seu estado, seja por TV aberta ou por serviço online financiado por publicidade.
O texto do projeto também mira plataformas das próprias ligas, como serviços de transmissão direta, impedindo cobranças que resultem em bloqueios de partidas por acordos exclusivos. A autora do projeto estimou que um torcedor de Wisconsin interessado em acompanhar Green Bay Packers, Milwaukee Brewers e Milwaukee Bucks pode gastar mais de US$ 1.500 por ano com assinaturas necessárias.
Além disso, em junho o Comitê Judiciário analisou a Sports Broadcasting Act de 1961, que permite às ligas negociar direitos de transmissão de forma coletiva. Membros do comitê levantaram a hipótese de que o modelo vigente se afastou do propósito original e precisa ser ajustado em favor dos consumidores.
O que você acha? Você acredita que essa movimentação entre plataformas e legisladores vai facilitar o acesso aos jogos ou elevar ainda mais o custo para o torcedor? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que é a Streaming Access and Choice Alliance (SACA) e qual é seu objetivo?
A Streaming Access and Choice Alliance (SACA) é uma coalizão formada por Netflix, Amazon e YouTube, anunciada no dia 14, com coordenação da TechNet. O objetivo é defender políticas que tratem igualmente diferentes tecnologias de distribuição e proteger investimentos em programação, citando um aumento de 52% no conteúdo esportivo desde janeiro de 2024.
Como o projeto For the Fans Act pode mudar o acesso aos jogos nos EUA?
O projeto For the Fans Act, apresentado em abril pela senadora Tammy Baldwin, propõe garantir aos torcedores locais uma opção única e gratuita para assistir aos jogos do time do estado, via TV aberta ou serviço com publicidade. A proposta surge num contexto em que um fã em Wisconsin pode gastar mais de US$ 1.500 por ano para acompanhar todas as equipes locais.
Qual é a relação entre a nova aliança e outras coalizões do setor, como a Streaming Innovation Alliance?
A Streaming Innovation Alliance, criada em 2023, é outra organização que reúne empresas como Disney, Paramount e Warner Bros. Discovery; a Disney participa dessa aliança junto à ESPN. A nova SACA concentra-se especificamente em esportes ao vivo e reúne Netflix, Amazon e YouTube num momento em que o acesso a transmissões esportivas está no centro do debate em Washington.
Beatriz Farias