Peter Chan — o cineasta asiático responsável por títulos como Comrades: Almost a Love Story e The Warlords abriu o debate sobre IA e o futuro do cinema em um evento do Singapore International Film Festival, adotando um tom pragmático: aceita ferramentas digitais, mas rejeita conteúdo totalmente gerado por IA e vê espaço para os longas diante do boom do formato curto.
IA como técnica, AIGC como linha vermelha
Em conversa no Singapore International Film Festival, Peter Chan afirmou que deve incorporar recursos de IA ao seu processo, comparando o uso a técnicas de CGI já consolidadas na indústria.
Chan deixou claro que, embora valores tecnológicos possam ajudar a produção, ele distingue entre ferramentas que auxiliam e produtos inteiramente gerados por inteligência artificial, um limite que não pretende cruzar.
“Tudo o que me ajudar a fazer filmes, eu recebo de braços abertos. Mas eles não conhecerão arte. Filmes ainda são feitos por pessoas.”
Por que o formato longo segue relevante
Peter Chan argumentou que há duas pontas coexistindo: jovens que preferem dramas curtos e verticais e audiências que consomem longos podcasts ou filmes extensos, citando Christopher Nolan e a diversidade de formatos como prova de sobrevivência do longa.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Seu novo filme, The Road Not Taken, que estreou em Toronto, aborda o Alzheimer numa narrativa centrada em um casal, uma filha de 20 anos e conflitos de família — temas que, segundo ele, exigem o espaço narrativo do longa.
O diretor também trouxe elementos pessoais e profissionais ao relato: a filha dele tem 20 anos e está em formação como atriz, e sua parceria com a atriz Sandra Ng foi mencionada no contexto de sua trajetória.
Na pesquisa para o filme, Chan visitou uma instituição de cuidado de Alzheimer em Chengdu, província de Sichuan, onde aprendeu uma expressão em mandarim que resume sua filosofia de carreira: seguir o fluxo e saber quando parar.
Ao revisitar a carreira, Chan destacou marcos como a produção em UFO nos anos 1990, a transição para épicos como The Warlords — que ele considera seu maior filme — e a longevidade conferida por Comrades, cujo 30º aniversário ele lembrou como divisor de águas.
Chan também relatou as dificuldades de trabalhar no sistema corporativo de Hollywood, citando a experiência em The Love Letter para ilustrar desafios de marketing, testes de exibição e decisões externas ao processo criativo.
Foto: Divulgação
Depois de sua passagem por Hollywood, Chan fundou a Applause Pictures, que produziu dez filmes em dois anos e meio, incluindo títulos do gênero horror como The Eye e a coletânea Three, além de atuar como produtor executivo em One Fine Spring Day.
Sobre roteiro e bastidores, ele disse preferir exigir várias reescritas dos autores, creditando nove roteiristas em The Warlords e descrevendo sua prática de trabalhar intensamente com equipes de escritores.
Chan também refletiu sobre o impacto cultural de Comrades: Almost a Love Story, filme que muitos lembram como sua obra definidora, e que, apesar de retorno financeiro modesto, lançou sua carreira internacionalmente.
O que você acha? Você concorda que o cinema de longa-metragem ainda tem fôlego frente aos dramas verticais e ao conteúdo curto? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Peter Chan vai usar IA para fazer filmes ou rejeita totalmente a tecnologia?
Peter Chan afirmou que pretende usar IA como técnica de apoio na produção cinematográfica, comparando o recurso a CGI; no entanto, ele descartou a adoção de AIGC (conteúdo gerado inteiramente por IA). A distinção é entre ferramentas que ajudam e criações autônomas da máquina.
Onde Peter Chan fez essas declarações sobre IA e o futuro do cinema?
Peter Chan falou sobre o tema em um evento “In Conversation” durante o Singapore International Film Festival, no Grand Ballroom do Marina Bay Sands, onde discutiu público jovem, formatos verticais e a resistência dos longas-metragens.
Sobre o que é The Road Not Taken, filme mais recente de Peter Chan?
The Road Not Taken, de Peter Chan, estreou em Toronto e é um drama que trata do Alzheimer dentro de uma família em crise; a trama envolve um casal em processo de divórcio, uma esposa com início de Alzheimer e uma filha de 20 anos, tema que Chan relaciona à sua própria vivência familiar.
Leticia Rodrigues