Rivalidade entre Brasil e Argentina — A rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina, analisada pelo sociólogo Ronaldo Helal, não surgiu apenas por confrontos em campo: segundo a pesquisa citada, a cobertura da imprensa brasileira e episódios de racismo ajudaram a alimentar e a tornar mais agressiva essa disputa. A reportagem foi publicada às 05h30 (Brasília UTC-3).
- Flash resumo: A tese de Helal (2006) aponta que a rixa começou com narrativas brasileiras; manifestações racistas em competições sul-americanas, incluindo episódios recentes, ampliaram a hostilidade.
Estudo aponta origem na imprensa brasileira
Ronaldo Helal, autor de uma tese de pós-doutorado de 2006, pesquisou jornais locais para traçar como a rivalidade se construiu historicamente. A conclusão é que, por muito tempo, a imprensa brasileira ajudou a definir a Argentina como um antagonista conveniente.
A pesquisa mostra que, em diferentes Copas, a relação nem sempre foi hostil: o jornal Clarín chegou a tratar Pelé como “o maior” e pesquisas de 1994 indicavam que 60% dos argentinos torciam pelo Brasil na final.
"Fiquei muito surpreso com o resultado da pesquisa"
Racismo e internet: por que a tensão aumentou
Helal e outros pesquisadores ressaltam que, a partir dos anos 2000 e com a disseminação da internet, a rivalidade ganhou dinâmica nova: ofensas e gestos racistas em estádios e redes sociais se espalham e alimentam ressentimentos duradouros.
Casos recentes citados incluem episódios na Libertadores e um torcedor do Boca Juniors flagrado fazendo gestos racistas em abril. Para especialistas, esses ataques repetidos contribuíram para que torcedores brasileiros se afastassem de admirações anteriores, como aconteceu após a Copa de 2022.
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Perguntas Frequentes
Como a rivalidade entre Brasil e Argentina começou segundo o sociólogo Ronaldo Helal?
Rivalidade entre Brasil e Argentina, segundo o sociólogo Ronaldo Helal, tem origem em narrativas da imprensa brasileira; Helal baseou sua tese de pós-doutorado de 2006 em jornais locais e mostra que, até meados do século XX, a cobertura ajudou a construir o “outro” argentino, com menções constantes a ídolos como Pelé.
A rivalidade entre Brasil e Argentina aumentou por causa de episódios de racismo nas competições?
Rivalidade entre Brasil e Argentina intensificou-se com episódios de racismo em jogos sul-americanos, diz Helal; ele aponta que ofensas recorrentes, incluindo cenas na Libertadores e relatos de xingamentos, acirram a repulsa do torcedor brasileiro e influenciaram sobretudo as gerações mais jovens após a Copa de 2022.
Desde quando há registros de racismo contra a seleção brasileira na imprensa argentina?
Rivalidade entre Brasil e Argentina registra manifestações racistas históricas: o jornal La Crítica publicou charges ofensivas em 1920 e, na sequência, surgiram debates sobre a presença de jogadores negros em 1921, evidenciando que o racismo antecede a atual configuração da rixa futebolística.
Os argentinos já demonstraram admiração pela seleção brasileira em algum momento?
Rivalidade entre Brasil e Argentina não foi sempre de hostilidade: pesquisas e matérias históricas mostram admiração argentina por ídolos brasileiros; por exemplo, o Clarín teve Pelé como colunista durante quatro Copas e pesquisa de 1994 indicou 60% de apoio argentino ao Brasil na final contra a Itália.
O que diz a pesquisadora Roberta Pereira sobre o aumento das denúncias de racismo?
Rivalidade entre Brasil e Argentina, segundo Roberta Pereira, não pode ser reduzida ao racismo argentino, mas ela observa um aumento nas denúncias na última década; Pereira destaca que, nos últimos dez anos, houve mais registros públicos de ofensas racistas em jogos e redes sociais, reforçando tensões existentes.
Vinicius Balbino