Tsai Ming‑liang — O retorno do cineasta a Veneza chega menos como uma conquista comercial e mais como um manifesto estético: "Dust" pede ao espectador que desacelere e perceba a cidade como terreno sensorial. A peça amplia a série "Walker" ao deslocar o monge descalço à paisagem basca, onde a luz e o ruído do mar se tornam matéria prima do filme.
Uma proposta que transforma lentidão em linguagem
"Dust" é o 11º episódio da série "Walker" e não se organiza em trama tradicional; a ação central é a caminhada quase imóvel de Lee Kang‑sheng por locais como La Concha, Chillida Leku e o Peine del Viento. O resultado é um filme sem diálogo e sem enredo que usa a repetição do gesto para mapear atmosferas urbanas.
Produzido por Vitrine Filmes e Homegreen Films, o projeto recebeu apoio do departamento de cultura e língua do governo basco, da Taiwan Public Television Service Foundation e do centro Tabakalera. A coprodução espanhola abriu caminho para filmagens em paisagens e interiores que o diretor diz terem sido escolhidos em dois deslocamentos de pesquisa a San Sebastian.
"A lentidão, na verdade, é também uma forma de rebelião."
Parceria de décadas e um documentário do envelhecer
A relação entre Tsai Ming‑liang e Lee Kang‑sheng atravessa mais de 30 anos, e "Dust" se lê como um registro dessa convivência: a câmera acompanha mudanças no corpo e no rosto do ator, transformando o projeto em documento sobre o tempo. A escolha de Lee — cabeça raspada, robe vermelho e pés descalços — funciona como instrumento de leitura dos lugares visitados.
Veneza surge, na trajetória do diretor, como um ponto de retorno simbólico: Tsai ganhou a Palma de Ouro (Golden Lion) por "Vive L'Amour" em 1994, e volta ao festival com uma obra que renegocia a função do cinema e do espectador. O próximo capítulo anunciado levará a série a Jeonju, na Coreia, por convite do Jeonju Intl. Film Festival.
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Perguntas Frequentes
Quando e onde o filme Dust de Tsai Ming‑liang será exibido em festivais?
Dust terá sua estreia no Festival de Veneza e, na sequência, será exibido no San Sebastian Film Festival. A produção é listada como o 11º capítulo da série "Walker" e chega ao circuito exibidor por meio de uma coprodução envolvendo Vitrine Filmes, Homegreen Films e apoio cultural do País Basco.
O que caracteriza Dust dentro da série Walker e quem protagoniza essa nova etapa?
Dust se destaca por não ter enredo nem diálogos; a obra é centrada na figura de Lee Kang‑sheng, cuja caminhada lenta e ritualizada constitui o núcleo dramático. Trata‑se do 11º filme da série "Walker", que já levou o personagem a cidades como Taipei, Marseille, Paris e Washington, D.C., antes de chegar à costa basca.
Qual é a história da colaboração entre Tsai Ming‑liang e Lee Kang‑sheng e qual é o futuro do projeto?
Tsai Ming‑liang e Lee Kang‑sheng trabalham juntos há mais de 30 anos, uma relação que o diretor descreve como a base de um documento sobre envelhecimento. Após vencer o Golden Lion em 1994 com "Vive L'Amour", Tsai segue ampliando a série; o próximo episódio foi convidado para Jeonju, indicando que a sequência continuará enquanto um dos dois estiver vivo.
Marcos Antonio