Woman Unknown — o novo filme de May el‑Toukhy relê a experiência feminina na Segunda Guerra Mundial e coloca a diretora no centro de um debate sobre representatividade em festivais após a presença quase inexistente de diretoras na competição principal de Veneza.
Um filme que reconstrói o olhar sobre mulheres acusadas de “colaboração”
Em Woman Unknown, May el‑Toukhy explora a vida de mulheres acusadas de ter relacionamentos com soldados alemães durante a ocupação, um fenômeno descrito no filme como o papel do corpo feminino na formação da identidade nacional.
A protagonista, Marie, é criada como empregada doméstica e babá, prestes a casar com um patrão rico; nas semanas que antecedem a libertação em 1945, ela luta para manter segredos que ameaçam sua sobrevivência e posição social.
“A ideia de envergonhar publicamente mulheres é um conceito muito antigo. Não ter filmes suficientes por mulheres também é um problema que vem de longe. Isso se reflete nos orçamentos com que trabalhamos e no talento que quer se envolver; nunca ouvi uma diretora chamada de ‘gênio’ do jeito que se chama muitos diretores homens.”
Veneza, visibilidade e o debate sobre igualdade
Além de apresentar um recorte pouco contado da guerra — inspirado por autores como Svetlana Alexievich, que documentou relatos femininos de conflito — a presença de Woman Unknown em festivais reacende a discussão sobre disparidade de gênero na seleção de obras.
May el‑Toukhy integra também o movimento Dogma 25, que propõe repensar práticas de produção; a cineasta defende mudanças nos modelos de financiamento e na forma como a crítica e a imprensa tratam diretoras, uma peça-chave para ampliar oportunidades.
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Perguntas Frequentes
Do que trata o filme Woman Unknown de May el‑Toukhy?
Woman Unknown, dirigido por May el‑Toukhy, retrata mulheres acusadas de relações com soldados alemães durante a Segunda Guerra. A narrativa acompanha Marie, uma empregada que, nas semanas antes da libertação de 1945, enfrenta julgamentos sociais e a ameaça de ter seu segredo exposto.
Qual foi a crítica de May el‑Toukhy sobre o Festival de Veneza?
May el‑Toukhy criticou a escassez de diretoras na competição principal de Veneza, chamando isso de “problema estrutural”. O festival havia listado apenas uma mulher na seleção principal, e posteriormente incluiu o documentário Naza, co‑dirigido por Rachel Szor.
Quais referências e movimentos influenciaram a abordagem de May el‑Toukhy em Woman Unknown?
May el‑Toukhy citou a obra The Unwomanly Face of War, de Svetlana Alexievich, como inspiração para recolher experiências femininas na guerra. Ela também aderiu ao movimento Dogma 25, que propõe mudanças na forma de fazer filmes e questiona modelos tradicionais de produção e orçamento.
Thiago Nogueira