ALIPH — a nova iniciativa coloca pela primeira vez o patrimônio cinematográfico entre as frentes de atuação do grupo, diante de um cenário em que apenas uma fração dos acervos globais está protegida. O anúncio feito no Lumière Summit em Saint-Paul-de-Vence destaca intervenções urgentes em coleções em risco e promete combinar socorro imediato com projetos de capacitação e infraestrutura.
Três pilotos com problemas concretos e urgência operacional
O projeto abre com três ações-piloto identificadas em contextos bem diferentes. Na Ucrânia, o Centro Dovzhenko, em Kyiv, mantém uma coleção estimada em cerca de 62.000 filmes e 300.000 rolos e sofreu danos após um ataque em junho; o programa prevê avaliar condições, encontrar armazenamento adequado e, se necessário, transferir acervos.
Na Síria, o Arquivo Nacional de Cinema enfrenta degradação prolongada da infraestrutura de armazenamento e técnica; a intervenção planeja proteger a coleção e recuperar a capacidade institucional para conservar o material dentro do país a longo prazo.
Em Indonésia, a Sinematek Indonesia enfrenta falta de espaço para aquisições e riscos causados por umidade e más condições ambientais; as ações incluem controle de temperatura e umidade, reforço de catalogação e formação de equipe local.
Apenas cerca de 20% do patrimônio cinematográfico mundial está atualmente salvaguardado, o que torna urgente a combinação de intervenções de emergência, obras físicas e capacitação técnica.
Financiamento, alcance e experiência prévia da organização
O programa já recebeu um aporte inicial de US$500.000 destinado a projetos emergenciais neste ano, com objetivo de angariar até US$15 milhões para sustentar ações até 2032. Além dos três pilotos, há mapeamento de potenciais projetos em Camboja, Líbano, Mianmar, Filipinas e ilhas do Pacífico.
A organização por trás da iniciativa é uma fundação com sede em Genebra criada em 2017, que já realizou 640 projetos em 65 países, com desembolso acumulado de US$138 milhões no campo do patrimônio em risco. Parceiros privados citados no histórico incluem o Getty Trust, Dr. Thomas S. Kaplan e a Leon Levy Foundation. A entrada no setor cinematográfico marca a primeira atuação explícita da fundação nessa área.
A proposta combina resposta emergencial com trabalhos de conservação física e programas de desenvolvimento de competências locais, e conta com o apoio de atores governamentais e culturais, incluindo a França entre os apoiadores anunciados.
O que você acha? Você considera suficiente o aporte inicial de US$500 mil para proteger esses acervos? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que é o Programa para a Salvaguarda do Patrimônio Cinematográfico lançado pela ALIPH e onde foi anunciado?
O Programa para a Salvaguarda do Patrimônio Cinematográfico é uma iniciativa da ALIPH anunciada no Lumière Summit, em Saint-Paul-de-Vence, França, que reúne ações de intervenção emergencial, preservação, obras físicas e capacitação. O anúncio marcou a primeira vez que a ALIPH passa a atuar formalmente no setor cinematográfico.
Quanto a ALIPH já alocou e qual é a meta financeira do programa?
A ALIPH alocou inicialmente US$500.000 para projetos emergenciais neste ano e estabeleceu a meta de arrecadar US$15 milhões para financiar o programa até 2032. O montante inicial deverá suportar intervenções imediatas enquanto se busca financiamento adicional para ações de longo prazo.
Quais problemas específicos o programa pretende resolver nos acervos da Ucrânia, Síria e Indonésia?
Na Ucrânia, a ALIPH atuará no Centro Dovzhenko, que abriga cerca de 62.000 filmes e 300.000 rolos danificados por um ataque em junho; na Síria, o foco é recuperar armazenamento e capacidade técnica no Arquivo Nacional de Cinema; na Indonésia, o trabalho visa combater umidade, falta de espaço e fortalecer catalogação na Sinematek Indonesia.
Gloria Maria