Tailândia — a rápida entrada de montadoras chinesas no mercado de veículos elétricos virou um teste sobre como políticas de atração industrial podem deixar fornecedores locais para trás, com consequências diretas para empregos e para a cadeia de autopeças do país.
Ascensão das montadoras chinesas e a nova configuração fabril
As fabricantes chinesas passaram a responder por 85% do mercado tailandês de EVs, fatia praticamente nula quatro anos antes. Nos primeiros sete meses do ano, um terço das vendas de carros novos foi de elétricos; porém dois terços dessas unidades foram importadas, sobretudo da China.
Incentivos fiscais, subsídios e isenção temporária de exigência local — somados a tarifas zeradas pelo acordo China–ASEAN — aceleraram a chegada de marcas como BYD, Changan, GAC Aion, Neta e Chery e a instalação de plantas para atender exportações ao Sudeste Asiático, Austrália e Europa.
As chinesas representam 85% do mercado tailandês de veículos elétricos, participação praticamente inexistente há quatro anos.
Transformação industrial, empregos e reações políticas
Historicamente, a Tailândia hospedou uma cadeia de autopeças estruturada desde os anos 1960, com cerca de 700 mil trabalhadores vinculados às montadoras japonesas. Entre 2024 e 2025, houve fechamento de fábricas da Subaru e Suzuki, redução de produção pela Nissan e Honda e falências de fornecedoras.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Expectativas locais apontam riscos grandes: estudos projetam até 300 mil empregos perdidos em cinco anos se os elétricos dominarem sem conteúdo local. A BYD, por exemplo, inaugurou em Rayong em 2024 uma planta avaliada em mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,03 bilhões), com meta de 4.000 carros diários; durante visita o painel marcava 3.409 unidades às 15h52.
O que você acha? Você acredita que a Tailândia conseguirá preservar fornecedores e empregos diante dessa expansão? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Como a Tailândia chegou a ter 85% do mercado de veículos elétricos nas mãos de marcas chinesas?
A Tailândia alcançou 85% de participação chinesa após combinar subsídios, redução de impostos e dois anos de liberdade para importação antes de obrigar produção local, além de tarifas zeradas pelo acordo China–ASEAN; essas medidas facilitaram a entrada de marcas como BYD, Changan e GAC Aion e inundaram o mercado com modelos mais baratos.
Quais são os números e a função da fábrica da BYD em Rayong?
A fábrica da BYD em Rayong foi inaugurada em 2024 com investimento superior a US$ 1 bilhão e área equivalente a 180 campos de futebol; a planta emprega 5.600 pessoas (94% tailandesas), monta baterias localmente, tem meta de 4.000 carros por dia e já exporta para Austrália, Europa e Sudeste Asiático.
Que impacto essa mudança tem sobre empregos e fornecedores locais na Tailândia?
A mudança pressiona fornecedores tailandeses, que chegam a perder contratos e fechar fábricas; estudos citam risco de até 300 mil empregos perdidos em cinco anos. Entre 2024 e 2025 houve fechamento de plantas da Subaru e Suzuki e redução de produção por Nissan e Honda, com várias fornecedoras entrando em falência.
Gloria Maria