Glaxo — o novo filme de Benjamín Naishtat chega ao circuito de festivais com uma proposta clara: usar a gramática dos gêneros populares para mapear a impunidade e as traições que atravessam a história argentina. A obra, que faz a estreia em Toronto e depois compete em San Sebastián, foi ambientada inteiramente na Argentina e rodado em locações no Brasil, decisão que marca as limitações atuais do cenário audiovisual argentino.
Estreia em Toronto e a denúncia da impunidade
Glaxo amplia o alcance de Naishtat ao transitar entre thriller, melodrama e coming‑of‑age para narrar como abusos de poder ecoam por décadas. A narrativa se apoia num prólogo policial inspirado em eventos históricos e em uma prosa literária de base, recriando episódios de 1956 e seus desdobramentos.
O filme estreia na seção Special Presentations de Toronto e tem a apresentação europeia na mostra principal de San Sebastián, colocando a produção no olho do circuito internacional de festivais.
"O filme não tenta nos dar uma resposta; ele simplesmente apresenta a pergunta."
Três épocas, escolhas de produção e referências de gênero
Glaxo é estruturado em três linhas temporais — um episódio em 6 de junho de 1956, sequências em 1957 em Chivilcoy e uma terceira parte situada em 1984 — e costura essas épocas com diferentes regimes visuais e sonoros. Essa montagem temporal serve para ligar um caso de violência política à vida de quatro adolescentes cuja amizade se desintegra.
A produção reúne a brasileira RT Features com a argentina Rei Pictures e foi rodada inteiramente no Brasil, apesar de se passar na Argentina, fato que reflete os entraves de financiamento e políticas culturais que afetaram a produção local.
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Perguntas Frequentes
Quando e onde Glaxo terá suas primeiras exibições no circuito de festivais?
Glaxo tem sua estreia de gala em Toronto, na seção Special Presentations, e em seguida faz a apresentação europeia na competição principal de San Sebastián. Essas duas passagens colocam o filme diretamente na vitrine internacional, com exibições destinadas a distribuidores, críticos e público de festival.
Por que Glaxo, ambientado na Argentina, foi filmado no Brasil e quem assina a produção?
Glaxo foi rodado inteiramente no Brasil e é uma produção da RT Features com co‑produção da Rei Pictures. A escolha de filmar fora da Argentina decorre das restrições de financiamento público e cortes na política cultural que, segundo a produção, tornaram inviável viabilizar o longa no país que serve de cenário narrativo.
Quais gêneros e referências cinematográficas orientam a linguagem de Glaxo?
Glaxo combina registros: o prólogo remete ao cinema clandestino latino‑americano dos anos 1970, a seção central evoca melodramas dos anos 1950 como A Place in the Sun e Giant, e o segmento final se apoia num noir dos anos 1980 rodado em CinemaScope com lentes anamórficas, criando uma composição de gêneros consciente.
Beatriz Farias