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Indústria automotiva: 100 mil carros montados com kits importados

Resumo

A indústria automotiva brasileira registrou até agosto a montagem de mais de 100 mil veículos usando predominantemente peças importadas, enquanto o déficit comercial de autopeças atingiu US$ 10,7 bilhões. O setor exportou US$ 5,2 bilhões e importou US$ 15,9 bilhões em componentes; a China respondeu por cerca de 24% dessas compras, somando US$ 3,8 bilhões.

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Indústria automotiva: 100 mil carros montados com kits importados
Foto: Divulgação
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Indústria automotiva brasileira — linhas de montagem cresceram nos últimos meses, mas a expansão das fábricas não se traduziu em cadeia de fornecedores nacionalizada: muitos veículos montados no País utilizam kits e componentes quase totalmente importados, com impacto direto na balança comercial e na capacidade tecnológica local.

Importações que moldam números e dependências

Até agosto, o setor exportou US$ 5,2 bilhões em peças e importou US$ 15,9 bilhões em componentes, resultando em um déficit de US$ 10,7 bilhões. Esse número revela que a produção no Brasil ainda depende fortemente de insumos estrangeiros mesmo quando a montagem ocorre em território nacional.

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A China foi responsável por quase 24% das compras externas do setor no período, somando US$ 3,8 bilhões, mais do que o triplo do valor vindo da Alemanha ou dos Estados Unidos. Alemanha e Estados Unidos aparecem como segundo e terceiro maiores fornecedores, respectivamente.

Até agosto, o déficit comercial de autopeças chegou a US$ 10,7 bilhões, com importações de componentes atingindo US$ 15,9 bilhões e exportações de US$ 5,2 bilhões.

Montagem local, kits SKD/CKD e a estratégia das montadoras

Mais de 100 mil carros foram montados no Brasil até agosto com quase 100% de partes importadas; parte dessas operações usa kits SKD (semimontados) e parte utiliza kits CKD (com carrocerias desmontadas para soldagem e pintura). Em vários casos, fábricas classificadas como produção nacional têm conteúdo local inferior a 30%.

Há configurações industriais que permitem alcançar índices de nacionalização de 50% contabilizando despesas locais como salários e energia: basta adquirir 12% a 15% de componentes de fornecedores instalados no País. Esse cálculo facilita declarações de produção nacional mesmo com amplo uso de peças importadas.

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Projetos chineses no Brasil avançam sob formatos diversos: algumas empresas importam kits semimontados há mais de um ano, outras planejam fornecedores dentro de complexos industriais. A retomada da alíquota de importação para híbridos e elétricos a 35% desde julho é apontada como um entrave adicional à montagem em grande escala.

Instrumentos como o ex-tarifário, que hoje beneficia quase 10 mil componentes sem equivalente nacional, também reduzem o custo de importação e mantém fluxo elevado de peças do exterior. Componentes críticos, como o câmbio automático, seguem 100% importados apesar da escala potencial para produção local.

A capacidade ociosa das fábricas chinesas — estimada em mais de 50% — e a projeção de envio de cerca de 12 milhões de veículos ao exterior neste ano tornam o mercado externo atraente para fornecedores estrangeiros, ao mesmo tempo em que pressiona fornecedores nacionais pela competitividade.

Para preservar a cadeia construída ao longo de décadas, entidades representativas preparam propostas de competitividade e metas de nacionalização por peso, que podem priorizar módulos pesados como baterias de lítio e sistemas eletrônicos, com o objetivo de ampliar o conteúdo nacional e o conhecimento técnico produzido no País.

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O que você acha? Você considera aceitável que mais de 100 mil carros montados no Brasil até agosto tenham quase todas as peças importadas? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.

Perguntas Frequentes

Quantos carros foram montados no Brasil com peças importadas até agosto e o que isso significa para a nacionalização?

A indústria automotiva brasileira montou mais de 100 mil carros até agosto com quase todas as peças vindas do exterior, o que evidencia baixa profundidade de fornecedores locais. Esse modelo permite declarar índices de nacionalização de até 50% comprando apenas 12% a 15% de componentes de fornecedores instalados no País, sem que a cadeia seja realmente nacional.

Qual é o tamanho do déficit de autopeças e quais países mais fornecem esses componentes?

O déficit comercial de autopeças chegou a US$ 10,7 bilhões até agosto, com exportações de US$ 5,2 bilhões e importações de US$ 15,9 bilhões. A China foi a principal fornecedora, respondendo por quase 24% das importações (US$ 3,8 bilhões), seguida por Alemanha e Estados Unidos como segundo e terceiro maiores fornecedores.

Como a BYD e outras montadoras chinesas atuam no Brasil em relação a fornecedores locais?

A BYD reconstrói o complexo de Camaçari e importa kits semimontados há mais de um ano, sem ter fechado pedidos estruturais com fornecedores locais. O plano de algumas montadoras prevê fornecedores dentro dos complexos, mas promessas graduais de nacionalização ainda não se traduziram em encomendas equivalentes às fornecedoras instaladas no País.

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POR Dimitri Lares
Dimitri Lares

Redação e cobertura geral | Dimitri Lares atua na redação do Diário da Mídia, produzindo notícias e conteúdos informativos sobre atualidades, acontecimentos do dia a dia e temas de interesse geral. Seu foco é a produção de textos claros, diretos e atualizados.

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