Kefi — a estreia em longa do cineasta e cinematógrafo Saito Kisin chega como um desafio direto ao modo tradicional de narrar perda, usando sequências surreais para transformar a notícia da morte do pai, recebida em 2024, em um mosaico de humor estranho, estilos visuais e histórias curtas que questionam como a família processa ausência e entorpecimento.
Mistura de gêneros: aliens, dinossauros e irmãos separados
Kefi é construído como um conjunto de curtas interligados que variam do onírico ao cômico absurdo, com passagens que incluem alienígenas, dinossauros e relações amorosas em moldes de sonho. Essa colisão de elementos não serve apenas ao efeito visual: funciona como mapa emocional para a família fragmentada retratada no filme.
A narrativa acompanha três irmãs — Kyo, Asumi e Kino — que, assim como no recorte biográfico do diretor, lidam com um pai ausente desde a separação dos pais. A notícia da morte do patriarca abre a obra e dá o tom para a exploração de um luto marcado por neutralidade e memórias ambíguas.
"Para falar a verdade, quando meu pai faleceu, eu não senti tristeza."
Estética autoral e método DIY que atravessa a tela
A imagem de Kefi alterna entre cor vívida e monocromia, além de oscilar entre câmera na mão e enquadramentos mais estáticos, numa aposta deliberada em testar abordagens visuais para manter a atenção do espectador. Essa variedade estética acompanha a proposta temática: mostrar que familiares nem sempre compartilham a mesma reação emocional diante da perda.
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Foto: Divulgação
Perguntas Frequentes
Do que trata exatamente o filme Kefi e como ele aborda a morte do pai do diretor?
O filme Kefi aborda a morte do pai do diretor Saito Kisin a partir de quatro blocos temáticos que se entrelaçam em episódios curtos; a obra usa elementos como alienígenas, dinossauros e sonhos para traduzir a sensação de entorpecimento e a ausência emocional, mostrando três irmãs — Kyo, Asumi e Kino — que reagem de maneiras distintas ao anúncio da morte.
Onde Kefi foi exibido e em qual sessão do festival ele figura?
Kefi foi programado na seção Nippon Cinema Now do Festival Internacional de Cinema de Tóquio e tem sido identificado no circuito como uma das entradas mais estranhas do evento; a presença nessa vitrine ressalta a intenção do filme de dialogar com um público interessado em propostas autorais e experimentais dentro do panorama japonês contemporâneo.
Como Saito Kisin produziu Kefi e que escolhas técnicas definem sua estética?
Saito Kisin é creditado em Kefi como diretor, roteirista, cinematógrafo, gaffer e editor, e optou por um processo de produção autoral que incluiu usar câmera single-lens reflex, edição em iMovie e atores convidados, buscando precisão criativa; visualmente, o filme alterna entre cor intensa e preto e branco e combina planos instáveis com composições mais controladas.
Leticia Rodrigues