Nippon Cinema Now — a seleção que reúne novos nomes do cinema japonês virou palco para relatos de bastidor com impacto direto na carreira dos participantes: na 39ª edição do Tokyo International Film Festival, cinco diretores detalharam como contatos e escolhas formais alteraram o destino de seus filmes e abriram caminhos para coproduções e financiamento.
Conexões que transformaram projetos
O painel "How We Make Films", moderado por Ichiyama Shozo no Tokyo Midtown Hibiya, reuniu Ueda Shinichiro, Saito Kisin, Natori Satoshi, Matsumura Shingo e Yaza Takenoshin para explicar decisões que saíram do roteiro e chegaram à produção.
Um dos casos mais concretos foi o de Natori: após o prêmio Grand Prix no Split Film Festival por Chihiro | Akemi, ele teve um encontro com Carlos Reygadas que resultou em uma proposta de colaboração e a perspectiva de uma coprodução Japão‑México para seu próximo projeto.
"Eu realmente senti que minha personalidade mudava, e pensei que haveria outra pessoa surgindo dentro de mim; parecia uma ideia aterrorizante", disse Natori, descrevendo como a experiência de caça e a vida em Hokkaido moldaram Chihiro | Akemi.
Formatos, financiadores e a generosidade dos sets
Ueda Shinichiro trouxe um exemplo técnico: Earthlings in Love nasceu de uma série de 30 microdramas pensada para redes sociais e manteve o formato vertical, mas teve orçamento "equivalente a um filme independente", o que o tornou apropriado para sala de exibição.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Saito Kisin, estreante como diretor em Kefi, contou que um patrocinador inicialmente propôs o tema "amor maternal", mas acabou liberando a equipe para criar um filme livremente, que terminou acompanhando três irmãs após a morte do pai.
Matsumura Shingo disse que Between Us explorou a sobreposição entre teatro e realidade, um exercício de liberdade criativa permitido pela seleção. Para Yaza Takenoshin, a largada veio ao escrever diretamente para o cinegrafista Kitagawa Yoshio — conhecido pelo trabalho com Hamaguchi — que não só topou filmar o debut como conectou o jovem diretor a um produtor e a potenciais financiadores.
O relato de Yaza enfatiza ainda a dimensão formativa: foi seu primeiro set, numa equipe descrita como generosa e disposta a orientar o cineasta mais jovem durante todo o processo.
Foto: Divulgação
Além das histórias individuais, o painel destacou um ponto comum: a liberdade de produzir obras que refletem experiências pessoais, seja a memória da caça em Hokkaido, o formato vertical nas redes, ou a passagem do autor pelo mercado publicitário.
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Perguntas Frequentes
Quem foram os diretores do Nippon Cinema Now que falaram no painel do TIFF?
Nippon Cinema Now reuniu cinco cineastas no painel "How We Make Films" da 39ª edição do Tokyo International Film Festival: Ueda Shinichiro (Earthlings in Love), Saito Kisin (Kefi), Natori Satoshi (Chihiro | Akemi), Matsumura Shingo (Between Us) e Yaza Takenoshin (Hinotama: Ball of Fire). Eles debateram processo criativo, formatos e estratégias de produção.
Como o encontro com Carlos Reygadas surgiu para um dos filmes do Nippon Cinema Now?
Nippon Cinema Now ganhou atenção internacional quando Natori Satoshi, diretor de Chihiro | Akemi, venceu o Grand Prix no Split Film Festival; esse prêmio levou a um contato com Carlos Reygadas, que manifestou interesse em colaborar, abrindo possibilidade de uma coprodução Japão‑México no próximo trabalho do diretor.
De que forma o cinegrafista associado a Hamaguchi entrou em um projeto do Nippon Cinema Now?
Nippon Cinema Now incluiu a história de Yaza Takenoshin, que abordou diretamente o cinegrafista Kitagawa Yoshio, conhecido por colaborar com Hamaguchi; Kitagawa aceitou filmar o debut de Yaza e ajudou a conectar o diretor a um produtor, que passou a buscar financiadores para viabilizar o projeto.
Dimitri Lares