Partula tohiveana — O diminuto caracol arbóreo, dado como extinto na natureza desde os anos 1980, acaba de protagonizar um retorno inédito nas florestas de Moorea, na Polinésia Francesa. A redescoberta de indivíduos que já nasceram livres muda o jogo da conservação mundial e reacende a esperança para outras espécies à beira do colapso.
- Flash resumo: Primeira espécie de invertebrado declarada extinta na natureza a restabelecer população selvagem.
Como o plano de emergência virou um caso-modelo
O drama da Partula tohiveana começou quando o caracol-lobo-rosado foi solto em Moorea para combater o caracol-gigante-africano. A ideia saiu pela culatra: o predador ignorou a praga agrícola e atacou as espécies nativas, dizimando os pequenos moluscos que servem de recicladores naturais de folhas.
A última esperança veio na década de 1990, quando biólogos transportaram os derradeiros exemplares para zoológicos de Londres, Edimburgo e dos Estados Unidos. Entre 2015 e 2024, milhares de caracóis criados em cativeiro foram devolvidos à ilha, cada um marcado com tinta reflexiva para diferenciar eventuais nascidos em liberdade.
“Embora pequenos, esses caracóis têm grande valor cultural, científico e de conservação”, declarou o curador Paul Pearce-Kelly.
O dia em que a floresta deu a resposta
Setembro de 2024 marcou o ponto de virada: pesquisadores encontraram quatro adultos e treze juvenis sem qualquer marca de laboratório, prova de que a população voltou a se reproduzir sozinha depois de 40 anos. O levantamento, publicado na revista Oryx, levou a União Internacional para a Conservação da Natureza a atualizar o status da espécie para “criticamente em perigo” em 2025.
Agora, o desafio é acompanhar se o número de indivíduos crescerá sem ajuda humana constante. O biólogo Justin Gerlach, autor principal do estudo, considera o resultado um farol para as demais 25 espécies de Partula extintas na natureza, que podem seguir o mesmo caminho de recuperação.
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Perguntas Frequentes
Qual é a importância da Partula tohiveana para o ecossistema de Moorea?
A Partula tohiveana, caracol arbóreo nativo de Moorea, atua na decomposição de matéria orgânica, reciclando folhas mortas e liberando nutrientes no solo da ilha. Esse serviço ecológico foi perdido desde a década de 1980, quando o animal desapareceu do habitat por causa do caracol-lobo-rosado invasor.
Quando os primeiros caracóis Partula tohiveana nasceram novamente na natureza?
Pesquisadores confirmaram em setembro de 2024 o nascimento de quatro adultos e treze jovens Partula tohiveana sem marcas de cativeiro, indicando reprodução natural pela primeira vez em 40 anos, conforme artigo publicado na revista científica Oryx.
Que estratégia de monitoramento foi usada para acompanhar a espécie solta?
O programa pintou cada Partula tohiveana criada em zoológico com pontos de tinta reflexiva, visíveis sob luz ultravioleta, possibilitando aos cientistas localizar os animais à noite e diferenciar indivíduos nascidos em cativeiro dos que surgiram livremente.
Qual mudança de status a IUCN aplicou à Partula tohiveana depois da redescoberta?
A União Internacional para a Conservação da Natureza alterou o status da Partula tohiveana de “extinta na natureza” para “criticamente em perigo” em 2025, após comprovar que a espécie voltou a ter população selvagem ativa na ilha de Moorea.
Como o caso Partula tohiveana pode influenciar outros projetos de conservação?
O sucesso da Partula tohiveana demonstra que programas de ex-situ, iniciados em zoológicos de Londres, Edimburgo e dos Estados Unidos, podem reverter extinções locais. O biólogo Justin Gerlach sugere usar o mesmo protocolo para tentar recuperar as demais espécies do gênero Partula.
Mariana Costa