Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — um novo panorama global pinta um futuro climático mais severo: o limite de 1,5°C, antes visto como alcançável, passa a ser uma ultrapassagem iminente, o que eleva riscos para ecossistemas, cidades costeiras e segurança alimentar.
- Flash resumo: No melhor cenário, o aquecimento global pode chegar a 1,8°C acima do período pré-industrial; sem mudanças rápidas, a temperatura média pode atingir 2,6°C até 2100.
Ultrapassar 1,5°C deixou de ser hipótese
O documento projeta que a marca de 1,5°C será superada nos próximos anos, tornando inevitável um período de “overshoot” — quando a temperatura excede o limite acordado e depois eventualmente diminui. Isso transforma o desafio de mitigação em uma corrida para limitar duração e intensidade do pico térmico.
Os impactos descritos incluem intensificação de eventos extremos, derretimento acelerado de geleiras e aumento do nível do mar, com risco real de submersão parcial ou total de algumas ilhas e cidades costeiras. As perdas serão desiguais e parte delas pode ser irreversível mesmo que as temperaturas declinem posteriormente.
"Não há bons resultados acima de 1,5 °C: tempo extremo, derretimento de geleiras, perda de ecossistemas e elevação do nível do mar vão se intensificar. Alguns Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e cidades costeiras de baixa altitude podem ser parcial ou completamente submersos. Os riscos de pontos de inflexão vão crescer."
O caminho de recuperação e o que falta
O relatório indica que a melhor rota é um padrão de “ultrapassagem, pico e declínio”: primeiro a temperatura excede 1,5°C, depois atinge um platô e, com ações suficientes, entra em declínio até estabilizar abaixo do limite. Essa trajetória exige políticas coordenadas e tecnologia em larga escala.
Para tornar possível a recuperação, o documento aponta a necessidade de emissões globais chegarem ao net-zero o mais rápido possível e da implantação massiva de remoção de dióxido de carbono (CDR), na ordem de bilhões de toneladas por ano em muitos cenários. Sob políticas atuais, a projeção mediana aponta para cerca de 2,6°C até 2100, longe do objetivo do Acordo de Paris.
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Perguntas Frequentes
O que o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente diz sobre ultrapassar 1,5°C?
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente afirma que ultrapassar 1,5°C não é apenas possível, mas agora considerado inevitável nos próximos anos. No melhor cenário analisado, a temperatura média global chegaria a 1,8°C acima do nível pré-industrial, aumentando riscos de eventos extremos e perdas ecológicas.
Em quanto o aquecimento pode chegar segundo o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente?
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente projeta que, no cenário mais otimista em que países implementam todos os compromissos, o pico mediano chegará a 1,8°C. Em contraste, sob as políticas vigentes, a mediana estimada de aquecimento até 2100 é de cerca de 2,6°C.
Que estratégia o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente recomenda para reverter o overshoot?
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente propõe a trajetória “ultrapassagem, pico e declínio”, exigindo rápida redução de emissões e implantação de remoção de carbono em larga escala. Muitos cenários dependem de remoções de vários bilhões de toneladas de CO2 por ano combinadas com metas de net-zero.
Qual é o papel do "super" El Niño citado no Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente?
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta que a combinação do aquecimento humano com um “super” El Niño vai amplificar picos de temperatura: cientistas esperam que 2026 seja o ano mais quente já registrado e que 2027 possa superá‑lo, oferecendo um vislumbre dos impactos a curto prazo.
As ações políticas recentes aparecem no Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente como agravantes?
O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente observa que muitas das maiores economias não estão no caminho certo para cumprir as metas de redução; medidas que expandem exploração de combustíveis fósseis e atrasam energias renováveis aumentam a probabilidade de overshoot e dificultam atingir metas de net-zero.
Rafael Menezes
