05/05/2018 - 09:27

Corrupção – passividade ou cumplicidade nossa?

Manoel Afonso
SOCORRO!!! A preocupação às vésperas das eleições para as câmaras municipais se repete no pleito que irá definir a composição da Assembleia Legislativa para o próximo quatriênio. Aferindo o potencial de alguns nomes que aparecem em pesquisas, fica a nítida impressão de que o eleitor em matéria de conscientização deixa a desejar. É a passividade que desemboca na cumplicidade.

Ô COITADOS! Depois do deputado Paulo Maluf (PP) ir pra casa, é a vez de outro ‘benemérito’: o ex-deputado (11 mandatos) Henrique Alves (MDB). O ex-deputado Eduardo Cunha (MDB) e o ex-ministro Geddel V. Lima (MDB) também querem! Mas a exemplo de Sergio Cabral MDB (ex-governador do Rio) terão que esperar um pouco mais até a mídia esquecê-los. Esse é o país que eu quero?

MAIS UMA O MDB estadual anuncia evento na capital com distribuição de formulário para o eleitor registrar seus anseios administrativos. Pura encenação para se tentar fugir da mesmice, daqueles mesmos personagens e discursos. O eleitor presente já é comprometido, carimbado, em busca de vantagem pessoal. Discutir a transparência e o combate a corrupção seria bem mais interessante. Fica a sugestão.

SEM SAÍDA? Cresce o número de quem admite votar no deputado Jair Bolsonaro (PSL), esquecendo que ele é somente reflexo da pressão moral e emocional no trato de desafios sociais como segurança, corrupção, tráfico de drogas e criminalidade. Age como o religioso de curas impossíveis e que vai exorcizar o demônio. Mas o ex-ministro do STF Joaquim Barboza (PSB) também sonha com o Planalto. Pelo visto sarou das ‘terríveis dores nas costas’ que o levaram a renunciar aos 11 anos restantes do cargo.

PASMEM! Bolsonaro (PSL) é o segundo menos rejeitado de uma lista de 6 nomes: 49,6% contra 45,5% do ex-ministro Joaquim Barbosa (PSB) em pesquisa recente onde aparecem o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e ex-senadora Marina Silva (Rede). A amostra é do Instituto Paraná, registro BR 2853/2018 no TSE.

ENCURRALADOS A crise é tal que não há dentre os 513 deputados federais e os 81 senadores um nome que os agregue num projeto nacional. Aliás, na pesquisa do Forum Econômico Mundial em 137 países, os nossos políticos foram tidos como os menos confiáveis. Paralelamente a essa carência, o país assiste as dificuldades da ‘Lava Jato’ em avançar contra a corrupção. O Judiciário recorre às normas inadmissíveis em países sérios do Primeiro Mundo.

PERGUNTAS ainda sem respostas. Quem o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) apoiará para o Governo Estadual? Deflagrada a campanha eleitoral o ex-Juiz Odilon de Oliveira (PDT) ampliará a liderança ou desabará nas pesquisas? Deputada Tereza Cristina (DEM) ou Edson Giroto (PR): qual deles receberá o apoio direto de Carlos Marun? (ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República)

EM TEMPO O ministro Carlos Marun (MDB) é ‘peso pesado’ também nas urnas e seu cacife eleitoral – que presume-se intacto – é invejável. Elegeu-se com 91.816 votos no pleito de 2014, contingente capaz de lotar 1836 ônibus com 50 poltronas cada. Agora, com a caneta (torneira das emendas) generosa quer deixar sua marca rumo talvez ao Tribunal de Contas da União ou até cultivar soja no Piauí. Quem sabe!

TRANSFERIR prestígio é um desafio. Inclusive especula-se a eventual influência positiva do ministro Marun na candidatura do ex-governador André Puccinelli (MDB). Como se sabe, Marun alçou todos os degraus da política pelas mãos de Puccinelli e agora seria a vez da retribuição. Confirmar essa hipótese seria prematura pelo clima de insegurança jurídica e eventuais estragos da ‘Lava Jato’ ou da ‘Lama Asfáltica’.



SINTONIA Filiado ao PSD o ex-deputado estadual Londres Machado continua ativo. Na última quinta ele esteve com Dirceu Lanzarini, Subsecretário de Assuntos Institucionais do Governo Estadual. Em pauta a sucessão estadual; ambos são líderes interioranos. Lanzarini foi prefeito de Amambai por 3 vezes e com excelente penetração na fronteira e no Cone Sul.



NO ALTAR? Se dependesse dos deputados estaduais do MDB, a aliança do partido com o PSDB já seria ‘fava contada’. Eles fazem os cálculos e a incerteza nas urnas é incontestável. Querem a proteção do ‘guarda chuva’ para garantir mais um mandato. Sobre isso, ouvi no saguão da Assembleia Legislativa observação curiosa: a relação do governador Reinaldo (PSDB) com os emedebistas é tranquila, mas o entrave seria o ex-governador Puccinelli (MDB). Perguntar não ofende: “consultaram o eleitor?”


Foto: André de Abreu
 
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