29/03/2018 - 09:17

Os limites da vida publica e privada dos políticos

Manoel Afonso
A VELHA pergunta que aflora em ano eleitoral: quais os limites que devem existir entre a conduta na vida privada e a postura pública dos cidadãos quer exercem mandatos eletivos e cargos na administração pública? E é bom sempre lembrar que hoje há um confronto crescente entre os defensores da privacidade das pessoas e aqueles partidários da transparência total.

QUESTÕES Não seria a conduta na vida privada patrimônio do homem público? Não seria o passaporte para ingressar no espaço público? E quem chegou ao poder, não pode ignorar os holofotes vigilantes da sociedade. Os escândalos por aí recomendam cautela de quem cuida de interesses públicos para não cair nas tentações das benesses ou vantagens amorais inclusive.

ALERTAS não faltam para aqueles políticos sob risco de ter a biografia e perfil manchados por deslizes na vida privada. Basta olhar para os casos locais com prisões por escândalos sexuais e corrupção inclusive; no país e também no exterior nos últimos anos. A opinião pública de olho no retrovisor para rever a postura lá atrás dos homens públicos. E com a internet então – nada escapa!

ESTRAGOS Sem discutir o mérito do caso, vale destacar a publicidade dada por um jornal (ligado aos servidores públicos estaduais) ao processo judicial movido pela J&F Investimentos (Joesley e Wesley Batista) contra a deputada federal Tereza Cristina C. da Costa (DEM) para recebimento de dívida no suposto valor de R$4,5 milhões, segundo aquela publicação.

VEJA! Se fosse um caso envolvendo os dois empresários (que dispensam referências por motivos óbvios) e uma pessoa comum passaria despercebido. Mas o fato de se tratar de uma parlamentar (que não se alinha politicamente ao sindicato dos serviços públicos) e que na época do negócio com os irmãos Batista ocupava uma secretaria na administração estadual, enseja questionamentos críticos e até maldosos.

NA JUSTIÇA Suspeitos de ilicitudes na ‘Lava Jato’ principalmente, os políticos tem avocado o direito de se defender no processo. Mas isso não basta para preservar a credibilidade. Aliás, após decisões do STF, a visão da opinião pública se baseia mais na moral do que no direito. Já no caso da deputada de notória reputação ilibada, sua versão pessoal sobre o episódio evitaria exploração política. E fecho a porteira.

FLÁVIO ROCHA O ingresso na política do dono das Lojas Riachuelo – assinando a filiação no Partido Republicano Brasileiro é o fato emblemático nesta fase crítica da política nacional. Para o senador Pedro Chaves (PRB), a vinda do empresário cria condições de protagonismo ao partido – que defende a vertente liberal da economia e respeita os valores da família. Seria ele o novo nome que a população tanto sonha?

‘MAIS UMA’ O STF lembra cachorro desdentado; late muito mas não morde. Agora inocentou o senador Romero Jucá (MDB) que fora relator da MP cortando impostos de empresas, entre elas de Jorge Gerdau, que ‘coincidentemente’ doou R$ 1,3 milhão ao diretório do MDB de Rondônia, beneficiando o senador. O STF só jogou pesado contra o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB).



‘OLHANDO’ Após o desastre de 2014, o ex-deputado Londres Machado (PR) adotou a ‘cidadania mineira’. Ouve muito e mede bem as palavras . Sobre o PR lembra, “como nas eleições anteriores, a decisão virá lá de cima”, mas diz que o deputado Paulo Correia já caminha com o governador Reinaldo (PSDB). E arremata: “os partidos valem muito pouco atualmente – não decidem mais”.



PESQUISAS Conferi os números como apostador cético das loterias . A última que levou a chancela ‘Vox Populi’, ouvindo só 500 pessoas em Campo Grande, tem um componente ‘esquisito’ que tira a objetividade da amostra. O ex-prefeito Nelson Trad (PTB) aparece como candidato ao Governo, quando pretende disputar o Senado. Como diria o narrador Galvão Bueno ao seu comentarista Arnaldo Cesar Coelho: “Pode isso Arnaldo?”

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