16/09/2017 - 14:35

PMDB - refém da própria estratégia

Manoel Afonso
FADIGOU Partido mais antigo do país, o PMDB jamais venceu uma eleição para o Palácio do Planalto. Chegou lá com José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer em situações atípicas. Em 1988 Ulysses Guimarães tentou e ficou em 7º lugar só com 4,6% dos votos. Em 1994 foi a vez de Orestes Quércia: apenas 4,3%. Em 2002, a ex-deputada Rita Camata (ES) foi vice de José Serra derrotado por Lula.
 
EVIDENTE que o discurso do Dr. Ulysses era apenas retórica democrática. As lideranças que o sucederam adotaram o oportunismo e fisiologismo como binômio de sobrevivência. Os currículos dos peemedebistas - ex-presidente José Sarney, dos senadores Jader Barbalho, Edson Lobão e Renan Calheiros, do presidente Michel Temer, dos ex-deputados Henrique Alves e Eduardo Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira atestam isso.

A ESTRATÉGIA Com enormes bancadas no Senado e Câmara, o PMDB tirou proveito, negociando cargos e vantagens nada republicanas. A indicação de Temer como candidato a vice de Dilma Roussef (PT) foi o casamento da conveniência com a necessidade ( do PT). Ao longo dos anos o PMDB criou raízes nas estatais e órgãos onde afloraram com escândalos da ‘Lava Jato’ e outras operações da Polícia Federal.

ENFIM... Os esquemas plantados no Governo garantindo vantagens pessoais para suas lideranças e recursos para a estrutura partidária ficaram incontroláveis, viraram casos de corrupção. Os escândalos atingindo lideranças nacionais respingam nas lideranças menores. A associação do PMDB com a corrupção é equação de fácil resolução. A exemplo dos petistas, de saias justas, os peemedebistas tem pela frente o desafio da pregação: sou do PMDB, mas não sou corrupto. Conseguirão se livrar da pecha?
 
NO SAGUÃO da Assembleia Legislativa ouvi a tese de que o envolvimento das raposas do PMDB em corrupção não conseguirão interferir nas eleições das cidades menores. Será? O eleitor interiorano estaria condenado a alienação eterna? Não frequentaria a internet e nem assistiria os noticiosos da TV? Dizem que a mansidão do povo é proporcional a sua raiva e sede de se vingar.
 
A PRAGA Para um ex-deputado federal da terra, a adoção das emendas parlamentares nos moldes atuais, constituiu-se em crescente foco de corrupção encoberta em prol dos parlamentares patronos junto as empreiteiras. Em alguns casos, a liberação de emendas geram comentários irônicos nos bastidores. Afinal, o Brasil mudou pouco após o episódio dos ‘Anões do Orçamento’, onde o ex-ministro Geddel Viera era apenas calouro na corrupção. Lembra a carinha de aprendiz dele?
 
DESAFIO-1 O deputado Carlos Marun (PMDB) trabalha com o desafio: administrar sua fidelidade/intimidade com o presidente Temer e o ex--deputado Eduardo Cunha sem se deixar desgastar pelas denúncias de corrupção que atingira o Governo que defende ardorosamente. Mas há quem entenda: o atendimento às suas bases eleitorais com emendas parlamentares garantiria a reeleição. É o jogo pela sobrevivência.
 
DESAFIO-2 Apesar da denúncia de corrupção aceita pelo Supremo Tribunal Federal - por desvio e lavagem de dinheiro na BR Distribuidora – o deputado federal Vander Loubet (PT) é outro que confia no retorno eleitoral das emendas que conseguiu para dezenas de cidades. Sabe-se: pretende ingressar num sigla que lhe permita a reeleição.
 
DESAFIO-3 Notório o esforço do deputado estadual Paulo Corrêa (PR) na presidência da CPI que investiga as irregularidades da JBS no MS. Candidato a reeleição, quer compensar os desgastes sofridos em sua imagem no episódio mostrado na TV e internet, flagrado ensinando o deputado Felipe Orrro (PSDB) a fraudar o ponto dos funcionários de gabinete. A conferir.
 
‘FENIX’ Tenho ouvido manifestações da vice governadora Rose Modesto (PSDB). Bem articulada e com amadurecimento progressivo ao tratar de questões políticas, separando-as da religiosidade. Praticamente se recuperou o embate eleitoral de 2016 e garante importante espaço para 2018. Com luz própria, independe de seu irmão deputado Rinaldo Modesto (PSDB).


 
A CONFERIR Será que as lideranças do PT local que estão deixando o partido tem prestígio bastante para carrear votos para os partidos destinatários? Além do mais, parte do eleitorado está decepcionada com a corrupção envolvendo ‘nobres companheiros’. Mas não deixa de ser mais um ingrediente para o embate de 2018.


 
LULA Apavorado, mostrou sua fragilidade na frente do Juiz Sergio Moro. Sobre o ex-ministro Antonio Pallocci - suas declarações de que ele seria frio e calculista justificam a escolha para aquele importante cargo que exerceu nos dois governos petistas. Coitada da dona Marisa! Acabou sobrando pra ela a culpa pelo apartamento.


“Lula insulta a inteligência do povo”. (ex-ministro Ciro Gomes (PDT)
Voltar
Site desenvolvido por: